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4 fatores de risco que estavam em 99% das pessoas que sofreram AVC

Por Leticia Florenço
14/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Infarto - Reprodução/iStock

Infarto - Reprodução/iStock

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. AVCs, ataques cardíacos e insuficiências cardíacas ainda surpreendem muitas famílias, mas a ciência mostra que, na maioria dos casos, eles não surgem do nada.

Um grande estudo internacional, conduzido pela Northwestern Medicine (EUA) e pela Universidade Yonsei (Coreia do Sul), acompanhou milhões de pessoas ao longo de décadas e revelou uma conclusão contundente com mais de 99% dos pacientes que sofreram eventos cardiovasculares já tinham fatores de risco elevados antes do episódio.

Hipertensão arterial

A pressão alta apareceu como o fator de risco mais comum nos participantes analisados. Mais de 95% dos pacientes coreanos e 93% dos norte-americanos que tiveram AVC ou insuficiência cardíaca já apresentavam valores de pressão arterial acima do considerado ideal.

Mesmo níveis aparentemente “moderados” (igual ou acima de 120/80 mmHg) já indicam risco aumentado para o futuro. Esse dado reforça a importância do monitoramento frequente da pressão e da adesão ao tratamento em casos de hipertensão diagnosticada.

Colesterol elevado

O colesterol total acima de 200 mg/dL já representa um risco cardiovascular. Quando se consideram níveis mais altos, de 240 mg/dL ou mais, o risco aumenta ainda mais.

Muitas vezes, o colesterol elevado não apresenta sintomas, o que leva a uma falsa sensação de segurança. A prevenção passa por alimentação equilibrada, prática de exercícios e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos.

Glicemia fora do controle

Valores de glicemia de jejum iguais ou acima de 100 mg/dL já indicam alerta. Em níveis mais elevados, a partir de 126 mg/dL, a condição pode configurar diabetes diagnosticado. O excesso de açúcar no sangue danifica vasos sanguíneos e acelera processos inflamatórios, aumentando o risco de AVC e insuficiência cardíaca.

Mais de 90% dos pacientes analisados tinham alteração nos índices glicêmicos antes do primeiro evento cardiovascular. Controlar a glicemia exige mudanças no estilo de vida e, em muitos casos, uso contínuo de medicamentos.

Tabagismo

O estudo avaliou tanto fumantes ativos quanto ex-fumantes. O histórico de tabagismo esteve presente em grande parte dos pacientes, mostrando que os danos do cigarro permanecem mesmo após a interrupção do hábito.

O tabaco afeta diretamente o sistema vascular, aumentando a pressão arterial, reduzindo a oxigenação do sangue e facilitando a formação de placas nas artérias. Segundo os pesquisadores, abandonar o cigarro continua sendo uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

O que os dados revelam

Mais de 99% dos indivíduos que sofreram AVC, insuficiência cardíaca ou doença coronariana apresentavam pelo menos um fator de risco não ideal antes do evento. Mais de 93% tinham dois ou mais fatores de risco combinados, o que aumenta a probabilidade de complicações graves.

Até mesmo em mulheres com menos de 60 anos, normalmente consideradas de menor risco, 95% já possuíam algum fator presente.

Quando os pesquisadores analisaram os níveis “clinicamente elevados” (pressão a partir de 140/90 mmHg, colesterol ≥ 240 mg/dL, glicemia ≥ 126 mg/dL e tabagismo ativo), o padrão persistiu: 90% ainda tinham ao menos um grande fator de risco antes do primeiro evento.

A presença de pressão alta, colesterol elevado, glicemia desregulada ou tabagismo cria um terreno fértil para o desenvolvimento de doenças graves. Isso significa que, ao investir em mudanças no estilo de vida, acompanhamento médico regular e diagnóstico precoce, é possível reduzir drasticamente as chances de um evento cardiovascular.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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