Superbactérias são microrganismos que desenvolveram resistência a antibióticos, tornando-se praticamente imunes a medicamentos que antes eram eficazes. Esse fenômeno é resultado do uso incorreto, excessivo ou indiscriminado desses remédios, tanto em hospitais quanto no agronegócio.
O infectologista David Uip alerta que estamos diante de uma ameaça que cresce de forma silenciosa e que pode superar, em pouco tempo, o impacto de doenças hoje vistas como as mais letais, como o câncer e as cardiovasculares.
Segundo Uip, a resistência bacteriana ainda não ganhou a dimensão pública necessária, mas os números são alarmantes: se nada mudar, até 2050 estima-se que 38 milhões de pessoas morrerão por infecções resistentes a antibióticos.
Esse número pode ultrapassar a soma de mortes por câncer e doenças cardíacas, configurando uma das maiores crises de saúde global do século.
O papel dos hospitais
O problema não está apenas fora das instituições médicas. Pesquisas indicam que até 50% dos antibióticos prescritos em hospitais são utilizados de forma inadequada, seja por erro de dose, pela indicação incorreta ou pela duração equivocada do tratamento.
Essa prática contribui diretamente para fortalecer a resistência bacteriana, colocando pacientes em risco e ampliando o alcance do problema.
Outro fator decisivo é o uso de antibióticos em grande escala no agronegócio, especialmente em aves e outros animais criados para consumo humano. Embora essa prática seja comum para acelerar o crescimento e prevenir doenças, a falta de controle e de metodologia adequada acelera o processo de resistência bacteriana.
Esse efeito chega ao consumidor final e, consequentemente, à saúde pública.
O perigo da automedicação
Um dos grandes vilões apontados por Uip é a automedicação. O hábito de tomar antibióticos sem prescrição ou interromper o tratamento antes do tempo adequado facilita a adaptação das bactérias, tornando-as cada vez mais resistentes.
O infectologista reforça que a decisão de usar esses medicamentos deve sempre passar por um profissional capacitado.
Ações necessárias para conter a ameaça
A contenção do avanço das superbactérias exige um esforço conjunto que vai desde políticas públicas de saúde até a responsabilidade individual. Entre os pontos destacados por Uip estão:
- Capacitação adequada de médicos para prescrever antimicrobianos.
- Maior rigor na limpeza hospitalar e controle de infecções.
- Redução do uso indiscriminado de antibióticos no agronegócio.
- Conscientização da população para evitar a automedicação.
- Incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento de novos medicamentos.
Covid-19 ainda preocupa
Além do alerta sobre as superbactérias, Uip também chamou atenção para a volta do aumento de casos graves de Covid-19 no Brasil. Até 22 de setembro de 2025, foram notificados 307.928 casos e mais de 2 mil mortes no país.
Apesar de menos letal entre vacinados, a doença segue sendo especialmente perigosa para idosos e pessoas com doenças crônicas, reforçando a importância da vacinação contínua.
Inteligência artificial na medicina
Outro ponto abordado pelo infectologista foi o papel da inteligência artificial na área da saúde. Para ele, a IA já é uma ferramenta essencial para pesquisa e atualização médica, mas jamais substituirá o contato humano.
A relação entre médico e paciente, marcada por empatia e confiança, continua sendo insubstituível.






