Um estudo recente de uma empresa de cibersegurança revelou que aplicativos usados para controlar dispositivos inteligentes de uso pessoal, como smartwatches, anéis e óculos conectados à internet e equipados com inteligência artificial, podem acessar até 33 tipos distintos de informações sobre seus usuários.
O número chama atenção porque a classificação oficial da App Store, usada como referência, prevê 35 categorias possíveis.
Ou seja, há casos em que as empresas exploram mais de 90% do total de dados sensíveis disponíveis, gerando inquietação sobre a real destinação dessas informações e o nível de exposição do consumidor.
33 tipos de dados são coletados por aplicativos de smartwatches
O levantamento foi conduzido pela Surfshark, companhia especializada em segurança digital, que analisou 24 aplicativos vinculados aos dispositivos mais pesquisados na internet até julho de 2025.
O foco foi identificar, nas descrições da App Store, quais dados cada app declara coletar. Ao todo, as informações foram agrupadas em 16 categorias que somam os 35 tipos reconhecidos.
A metodologia não envolveu testes técnicos para verificar a transmissão de dados, mas se baseou exclusivamente naquilo que as próprias empresas admitem capturar.
Entre os resultados, os aplicativos de smartwatches se destacaram como os mais “famintos” por informações, registrando uma média de 11 tipos de dados por app. Os programas para óculos inteligentes aparecem na sequência, com nove tipos, e os de anéis conectados ficam com média de seis.
Entre os itens mais comuns coletados por smartwatches e outros dispositivos estão localização geográfica, contatos armazenados no celular, histórico de navegação, identificadores exclusivos de dispositivos e até dados financeiros.
O caso mais extremo encontrado foi o dos óculos Ray-Ban Meta, que só funcionam plenamente se pareados ao aplicativo Meta AI. Este software solicita acesso a 33 dos 35 tipos de dados listados e admite que até 24 deles podem ser usados para publicidade de terceiros.
Outro exemplo relevante é o da assistente virtual Amazon Alexa, presente em determinados óculos inteligentes, que coleta até 28 tipos de dados, grande parte sob a vaga categoria “outros fins”, sem explicações claras sobre seu uso.
Principal recomendação é ler permissões concedidas a smartwatches e dispositivos semelhantes
Para especialistas da Surfshark que participaram do levantamento, o acúmulo de dispositivos conectados amplia a “superfície de coleta” e, portanto, o risco para a privacidade.
O estudo lembra que informações biométricas, como padrões de sono e batimentos cardíacos, coletados por smartwatches, são sensíveis e impossíveis de substituir em caso de vazamento.
A recomendação é que os usuários leiam com atenção as permissões e políticas de privacidade, mesmo que longas e complexas, pois, na prática, representam o único controle real sobre o que será feito com seus dados.






