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Fatura

Por Leandro Mazzini, com Walmor Parente (DF), Beth Paiva (RJ) e Henrique Barbosa (PE)

12/10/2019 às 06h43 - Atualizada 12/10/2019 às 09h49

O Governo e o Congresso sacrificaram a Educação para pagar a fatura da aprovação da reforma da Previdência, na Câmara dos Deputados, e acelerar as articulações da votação em segundo turno no Senado. Dos R$ 3 bilhões em créditos aprovados pelos deputados e senadores, R$ 1 bilhão – remanejado do Ministério da Educação – será destinado para arcar com emendas parlamentares. Os recursos vão para a agricultura familiar, compra de ônibus e saneamento básico para atender às bases eleitorais dos congressistas. Além dos contingenciamentos deste ano, a previsão orçamentária da Educação para 2020 será 18% menor – cai de R$ 122 bilhões para R$ 101 bilhões.

Mãos ao alto
Não é só um ônus popular para o Palácio. Na maioria dos casos são os congressistas quem condicionam essas demandas ao apoio à pauta. É um sequestro elegante.

Ficha caiu
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, está atrás, sem sucesso, de uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, para pedir demissão. Mas quer ouvir um “fica, amigo”..

Demorou
Marcelo Álvaro faz ouvidos moucos a aliados que sugerem há meses ele deixar o cargo, para preservar o Governo e se defender como deputado federal do cerco da PF.

Decolagem silenciosa
No fórum da APEX para investidores estrangeiros em São Paulo, a presidente da Boeing para América Latina, Donna Hrinak, revelou que a estimativa para os próximos 20 anos na fabricante é de demanda por 44 mil novos aviões – 3 mil para América Latina. No evento, um silêncio sobre o caso Embraer. Nenhuma palavra de Donna ou de ministros sobre o fechamento temporário da fábrica em São José dos Campos.

Bancos ficam
Salim Mattar, o secretário de Privatizações do Governo, revelou a investidores que a Caixa, Banco do Brasil e Petrobras não serão privatizados “nesta gestão”. Também não deu nenhum pio sobre a venda da Embraer, na qual o Estado tinha boa fatia, para a Boeing. Lembrete: o BB e Petrobras já são de capital aberto, controlados pela União.

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PF ‘nutella’?
Virou rotina agora a Polícia Federal usar carros descaracterizados, e não patrulhas com giroflex (como esse povo merece) em operações de buscas e prisões de autoridades políticas. São os chamados ‘alvos sensíveis’.

Pacote Moro
Após a série de derrotas no grupo de trabalho que discute o pacote anticrime, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, abriu o gabinete para deputados federais e tem se reunido duas vezes por semana com o chefe da Casa Civil, Onix Lorezoni. Moro reforça o pedido para que pontos originais da proposta sejam restabelecidos na votação em plenário.

Pacote Moro 2
Dezoito trechos do projeto original foram rejeitados pelo Congresso Nacional. Um deles previa a possibilidade de o preso cumprir pena depois de condenado em segunda instância da Justiça (Hoje, há entendimento no STF para isso, mas não uma lei). Em outra derrota, o TCU suspendeu a mídia do pacote anticrime, orçada em R$ 10 milhões.

Sem continência
Os congressistas estão de olho na relação do Brasil com os Estados Unidos sobre a eventual entrada do País na OCDE. Para o líder do Cidadania, Daniel Coelho (PE), o Governo deve “ser duro e mostrar que temos voz ativa não só com a Venezuela ou Cuba”. Falta combinar com Bolsonaro.

Lista suja
Subiu para 190 o número de empregadores autuados por submeterem trabalhadores a condições análogas à escravidão. O levantamento, produzido pela Secretaria Especial do Trabalho e da Previdência, é atualizado a cada semestre. Na “lista suja” atual, foram incluídos 28 novos estabelecimentos distribuídos por 13 Estados. Minas lidera.

Seguuura, Gleisi
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, administra uma crise no Recife à distância. Apadrinhado pelo senador Humberto Costa para ser vice na chapa do PSB em 2020, o secretário de Desenvolvimento Agrário Dilson Peixoto (PT) faz ataques pessoais à correligionária deputada federal Marília Arraes, que quer disputar a prefeitura.

Leandro Mazzini

Leandro Mazzini

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