Na semana passada, o Itaú Unibanco anunciou o encerramento de uma de suas agências mais tradicionais e movimentadas no Nordeste, marcando o fim de um ciclo para milhares de clientes da região.
A medida, segundo o banco, faz parte de uma estratégia nacional de reestruturação física e digital. A instituição afirma que os usuários da unidade serão atendidos em outras agências próximas, mas entre os funcionários o sentimento é de frustração.
Eles alegam que não houve diálogo prévio e apontam riscos para parte da clientela, especialmente aqueles que ainda dependem do atendimento presencial. O caso reacende o debate sobre o futuro dos serviços bancários no Brasil.
Setembro histórico: Itaú anuncia fim do ciclo
A agência em questão fica na Avenida Tancredo Neves, no bairro do Caminho das Árvores, em Salvador. Com quase três décadas de operação, o ponto de atendimento se tornou referência para uma ampla comunidade de clientes, chegando a movimentar aproximadamente 20 mil contas ativas.
A decisão de fechamento, com data marcada para o dia 5 de novembro, surpreendeu os 28 funcionários que ainda trabalhavam no local. Muitos afirmam ter recebido a notícia de forma abrupta, sem tempo hábil para se preparar ou realocar suas funções.
O Itaú justificou o encerramento com base em dados que mostram o crescimento do uso de canais digitais. De acordo com a instituição, 97% das operações realizadas por pessoas físicas já ocorrem por meio de aplicativos ou internet banking.
Diante disso, o banco tem direcionado sua estratégia para um modelo mais enxuto e digitalizado, com agências voltadas ao atendimento consultivo, voltadas a serviços mais complexos e personalizados.
Sindicato dos Bancários da Bahia se posiciona contra fechamento da agência do Itaú
No entanto, representantes do Sindicato dos Bancários da Bahia questionam essa abordagem. Segundo a entidade, o avanço da digitalização não é uma realidade homogênea no país.
Muitos brasileiros ainda enfrentam dificuldades de acesso ou de familiaridade com as tecnologias bancárias, o que torna o fechamento de agências um obstáculo, especialmente para os mais velhos ou moradores de áreas com infraestrutura precária.
O caso da unidade de Salvador não é isolado. Só em 2024, outras três agências do Itaú fecharam as portas na capital baiana. Em escala nacional, mais de 850 agências de grandes bancos encerraram atividades este ano, segundo dados da Febraban.
Desde 2014, o país perdeu mais de cinco mil pontos físicos de atendimento, consolidando uma mudança estrutural no setor financeiro.





