Em abril deste ano, uma declaração feita pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, acendeu um alerta em milhões de brasileiros. Durante um evento nos Estados Unidos, Fraga sugeriu que o salário mínimo ficasse congelado por seis anos como forma de conter o avanço dos gastos públicos.
Desde então, começaram a circular rumores de que o governo federal poderia adotar a medida, espalhando insegurança entre trabalhadores e beneficiários de programas sociais que têm no salário mínimo sua principal, ou única, fonte de renda.
Agora, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou publicamente o assunto e tentou pôr fim aos boatos.
Salário mínimo vai ser congelado? Entenda o que estão falando
A proposta de Armínio Fraga, feita durante sua participação na Brazil Conference, teve como base a preocupação com a situação fiscal do país, especialmente no que diz respeito às despesas com a Previdência Social.
Para o economista, o modelo atual de gastos está se tornando insustentável diante do envelhecimento da população e das regras vigentes de aposentadoria.
“Uma forma mais direta e viável de começar seria manter o salário mínimo congelado em termos reais por seis anos”, disse Fraga.
Ele argumenta que o reajuste anual do mínimo contribui significativamente para o crescimento das despesas federais, já que serve de referência para benefícios como aposentadorias, pensões e auxílios sociais.
A fala de Fraga, no entanto, não passou despercebida. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, rebateu indiretamente a proposta durante um evento do setor financeiro em São Paulo.
Governo não pretende congelar salário mínimo
Com tom crítico e irônico, Haddad afirmou: “As pessoas precisam comer, querem um salário melhor. Aí chega um cara da ‘Asset Tal’ e fala: ‘Olha, se ficar mais 12 anos congelado o salário mínimo’. […] Vai resolver, mas porra, cara, vai lá e senta. Assume o cargo”.
O ministro destacou que o debate sobre contas públicas é legítimo, mas não pode ignorar o impacto social de certas medidas.
Diante da repercussão, é importante esclarecer: o governo federal não estuda congelar o salário mínimo. Não há qualquer proposta oficial, minuta ou discussão interna que caminhe nesse sentido.
O que existe, na verdade, é pressão de setores do mercado financeiro que defendem medidas mais duras de ajuste fiscal.
No entanto, a equipe econômica do governo reforça que o salário mínimo tem papel central na proteção social e que mantê-lo congelado por tanto tempo comprometeria a dignidade de grande parte da população.





