Dados recentes do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) revelam que o Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do governo federal, acumula atualmente uma fila com centenas de milhares de famílias à espera da inclusão na folha de pagamentos.
Essas famílias já foram pré-habilitadas e atendem aos critérios estabelecidos pelo programa, estão inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e realizaram o procedimento inicial em unidades do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social).
Ainda assim, seguem sem receber o benefício, mesmo após os 45 dias que, em tese, seriam suficientes para a análise e a liberação do pagamento.
Por que milhares de famílias levam mais de 45 dias na fila do Bolsa Família
Embora o processo de entrada costume ocorrer dentro desse prazo, o ritmo de inclusão diminuiu drasticamente nos últimos meses. Apenas uma pequena fração das famílias que já passaram pelas etapas iniciais têm sido efetivamente incorporadas à folha.
O MDS reconhece o problema e explica que os fluxos de entrada e saída no programa são avaliados mensalmente, levando em conta a disponibilidade orçamentária.
Em nota, o ministério afirmou que não há prazo fixo para a inclusão de novos beneficiários e que o processo depende, além da elegibilidade, da capacidade financeira do programa.
Em outras palavras, mesmo quem cumpre todos os requisitos pode acabar esperando indefinidamente se não houver verba suficiente para pagar todos, e é isso que tem atrapalhado novas inclusões de famílias ao programa social.
O orçamento do Bolsa Família para 2025 foi fixado em R$ 158,6 bilhões, quase R$ 10 bilhões a menos do que no ano anterior. Deste valor, mais de R$ 120 bilhões já foram utilizados até setembro.
Com o custo mensal da folha girando em torno de R$ 12,9 bilhões, restam poucos recursos para absorver novas famílias ainda este ano (outubro, novembro e dezembro), o que explica a estagnação nas inclusões e o aumento da fila.
Bolsa Família atende cerca de 20 milhões de grupos familiares com pelo menos R$ 600
O Bolsa Família é um instrumento essencial de combate à pobreza no Brasil.
O programa atende famílias em situação de extrema pobreza, com renda mensal por pessoa de até R$ 105, e famílias pobres, com renda de até R$ 218 por pessoa, desde que tenham crianças, adolescentes, gestantes ou nutrizes.
Além do valor mínimo de R$ 600 por família, há benefícios adicionais para crianças de até seis anos, gestantes e jovens até 21 anos.
A demora na concessão do benefício a quem tem direito representa um entrave sério em um momento de vulnerabilidade para milhões de brasileiros, que veem na renda garantida pelo programa uma forma de subsistência e dignidade.
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