Em tempos em que o avanço das inteligências artificiais tem sido encarado como uma ameaça ao mercado de trabalho, os colossais arranha-céus passaram a exercer mais uma importante função social.
Isso porque além de otimizarem o espaço urbano, abrigando diversos empreendimentos em seus diversos andares, e servirem como símbolos de poder econômico para as cidades, na China, estas estruturas também estimularam a criação de uma nova profissão.
Em cidades como Shenzhen, no sudeste do país, as gigantescas estruturas predominam na paisagem. E a entrega de refeições em edifícios como estes pode se tornar uma tarefa extremamente complexa e demorada.
Contudo, para contornar este problema, muitos prédios passaram a contar com “entregadores de entregadores”, que são intermediários que recebem os pedidos na entrada dos edifícios e os levam até os andares superiores.
O cargo tem sido ocupado principalmente por jovens quanto por idosos em busca de uma renda extra, e serviu como um exemplo de como a sociedade chinesa tem se adaptado aos desafios cotidianos nas megacidades.
Legalidade de profissão acarreta riscos e limitações
Apesar da utilidade da nova profissão, sua natureza informal tem gerado debates sobre diversos aspectos, a começar por sua remuneração extremamente baixa, que chega a apenas 2 yuan por entrega (aproximadamente, R$ 1,51).
Além disso, os intermediários também não contam com contratos formais, seguros ou direitos trabalhistas, e não há nenhuma regulamentação específica que assegure a proteção desses trabalhadores.
Por conta disso, questionamentos sobre a possibilidade de resolução desses problemas em um futuro próximo começaram a repercutir na imprensa internacional, considerando que, apesar de engenhosa, a solução ainda depende de adaptações e, principalmente, regulamentações.
Afinal, embora reflita a resiliência e a adaptabilidade das pessoas diante das mudanças globais, a função de “entregadores de entregadores” precisa precisa garantir algum nível de segurança para todos que optarem por exercê-la.





