O Banco Itaú, maior instituição financeira privada do país, promoveu no início desta semana uma ampla rodada de demissões que atingiu centenas de trabalhadores.
Segundo o próprio banco, os desligamentos ocorreram após uma análise interna que identificou condutas consideradas “incompatíveis com os princípios de confiança” da empresa.
Embora a instituição não tenha especificado os critérios exatos usados para a dispensa, nem informado oficialmente quantos funcionários foram afetados, o episódio gerou fortes reações.
E, caso os demitidos tenham sido contratados sob regime CLT, o banco terá a obrigação legal de liberar para eles os saldos do FGTS, que é o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, como previsto pela legislação trabalhista brasileira.
Itaú vai ter que liberar pagamentos de FGTS: brasileiros vão sacar
Ainda não há confirmação sobre o vínculo contratual dos desligados.
Enquanto circulam relatos de que os cortes teriam atingido majoritariamente trabalhadores em home office da área de tecnologia, o Itaú preferiu não esclarecer se os empregados tinham contrato CLT ou atuavam como pessoas jurídicas (PJ).
A distinção é fundamental: apenas trabalhadores formais têm direito ao saque do FGTS em caso de demissão sem justa causa.
Caso se confirme que ao menos parte dos demitidos era regida pela Consolidação das Leis do Trabalho, o banco terá que liberar não apenas o saldo acumulado no fundo, mas também pagar a multa rescisória de 40%, como é direito de todo trabalhador demitido no Brasil.
Itaú recebe críticas após demissões
A decisão do Itaú, além de causar impacto direto nos profissionais desligados, esbarrou em uma série de críticas por parte de sindicatos, juristas e usuários nas redes sociais.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo classificou a medida como uma “demissão em massa disfarçada”, apontando que a instituição não teria comunicado previamente a entidade, o que poderia ferir a decisão do Supremo Tribunal Federal que exige negociação sindical em cortes coletivos.
O momento das demissões também gerou questionamentos, já que o banco anunciou recentemente lucros bilionários, ultrapassando R$ 22 bilhões no último ano.
Outro ponto controverso foi a suposta utilização de ferramentas digitais de monitoramento para avaliar a produtividade dos funcionários, especialmente os que estavam em trabalho remoto, informação que não foi confirmada nem negada oficialmente pelo banco.
A ausência de transparência sobre esses critérios levantou preocupações sobre privacidade, legalidade dos métodos usados e o futuro do home office nas grandes corporações brasileiras.
Enquanto isso, os trabalhadores afetados aguardam os desdobramentos legais e financeiros do processo.
O acesso ao conteúdo será liberado imediatamente após o anúncio.
