O passaporte dos Estados Unidos sofreu uma queda inédita no ranking de influência global dos passaportes, elaborado anualmente pela consultoria Henley & Partners.
Pela primeira vez desde a criação do índice, os EUA não figuram entre os dez documentos de viagem mais poderosos do mundo.
Segundo o relatório de 2025, divulgado neste mês, uma das causas foi a decisão do Brasil de voltar a exigir visto de entrada para cidadãos americanos.
EUA cai na lista do top 10 passaportes poderosos por causa do Brasil
O Henley Passport Index, desenvolvido há duas décadas, mede a liberdade de mobilidade oferecida por cada passaporte com base em dados oficiais da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo).
A classificação considera o número de destinos que um portador pode visitar sem necessidade de visto prévio. Além disso, a consultoria analisa políticas internacionais de reciprocidade e abertura entre países.
Em 2014, o passaporte americano liderava o ranking, garantindo acesso livre a praticamente todo o globo. No entanto, em 2025, caiu para a 12ª colocação, empatando com a Malásia.
Essa perda reflete, segundo os analistas da Henley, os efeitos de políticas de imigração adotadas principalmente durante o governo de Donald Trump, que impuseram barreiras a viajantes de diversas nacionalidades.
Como resposta, muitas nações passaram a aplicar medidas similares contra os EUA, entre elas, o Brasil.
Brasil e outros países passaram a exigir visto de estadunidenses
Em abril deste ano, o governo brasileiro retomou a exigência de visto para americanos, canadenses e australianos, citando o princípio da reciprocidade.
O Itamaraty justificou que o Brasil não oferece isenção unilateral, ou seja, só libera entrada sem visto para países que adotam a mesma política para brasileiros.
Com isso, os turistas dos EUA passaram a enfrentar mais restrições para entrar no Brasil, contribuindo diretamente para a pontuação mais baixa do passaporte norte-americano no índice.
Além do Brasil, outras nações como China, Vietnã e Papua Nova Guiné também passaram a exigir vistos dos americanos, ampliando ainda mais a limitação de acesso.
Hoje, cidadãos dos EUA podem entrar em 180 países sem visto, número que, embora alto, vem perdendo terreno diante de passaportes asiáticos e europeus cada vez mais valorizados.
Passaportes mais influentes do mundo (2025)
| Posição | País | Acesso sem visto |
|---|---|---|
| 1º | Singapura | 193 países |
| 2º | Coreia do Sul | 190 países |
| 3º | Japão | 189 países |
| 4º | Alemanha, Espanha, Suíça, Itália, Luxemburgo | 188 países |
| 5º | Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Países Baixos, Irlanda | 187 países |
| 6º | Grécia, Hungria, Nova Zelândia, Noruega, Suécia, Portugal | 186 países |
| 7º | Austrália, República Tcheca, Malta, Polônia | 185 países |
| 8º | Croácia, Estônia, Eslováquia, Eslovênia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido | 184 países |
| 9º | Canadá | 183 países |
| 10º | Letônia, Liechtenstein | 182 países |
Passaportes menos influentes do mundo (2025)
| Posição | País | Acesso sem visto |
|---|---|---|
| 97º | República Democrática do Congo, Sudão do Sul | 43 países |
| 98º | Irã, Sri Lanka, Sudão | 41 países |
| 99º | Eritreia, Líbia, Palestina | 39 países |
| 100º | Bangladesh, Coreia do Norte | 38 países |
| 101º | Nepal | 36 países |
| 102º | Somália | 33 países |
| 103º | Paquistão, Iêmen | 31 países |
| 104º | Iraque | 29 países |
| 105º | Síria | 26 países |
| 106º | Afeganistão | 24 países |
