Um novo levantamento mostra uma virada na relação das pessoas com a necessidade de trabalhar. Pela primeira vez, a preferência por jornadas mais leves e maior liberdade de rotina supera o desejo por salários maiores.
A mudança aparece em um cenário em que longas cargas de trabalho, combinadas a remunerações que muitas vezes não acompanham o custo de vida em grandes centros urbanos, afastam jovens do modelo seguido por gerações anteriores.
Em vez de aceitar jornadas exaustivas para conseguir pagar o aluguel, muitos passam a defender limites firmes entre vida pessoal e profissional, pois já perceberam que os atuais salários não permitirão as mesmas conquistas que seus pais tiveram, como a casa própria.
Estudo revela que pessoas preferem trabalhar menos do que ganhar mais
O dado central vem da edição 2025 do Workmonitor, pesquisa anual conduzida pela multinacional de recursos humanos Randstad.
O estudo, que já tem mais de duas décadas de acompanhamento, ouviu trabalhadores de diferentes faixas etárias e setores para entender como evoluem as expectativas sobre emprego.
Pela primeira vez desde o início do monitoramento, o equilíbrio entre vida e trabalho aparece no topo das prioridades, ficando à frente da remuneração.
Segundo o relatório, 83 por cento dos entrevistados apontaram esse equilíbrio como aspecto fundamental na hora de analisar um emprego atual ou uma futura oportunidade, enquanto o salário aparece ligeiramente abaixo, com 82 por cento.
O levantamento também mostra que a mudança de mentalidade é puxada principalmente pela geração Z. Jovens com poucos anos de trajetória profissional demonstram desconforto com modelos rígidos, pressão contínua e rotinas sem margem para descanso.
Para eles, saúde mental, autonomia e flexibilidade pesam mais do que a promessa de um contracheque maior.
Parte desse comportamento se relaciona ao chamado “minimalismo de carreira”, tendência que prioriza ambições fora do trabalho e rejeita a antiga lógica de sacrificar tempo livre para escalar posições em alta velocidade.
Trabalhadores mais experientes também estão preferindo trabalhar menos
A Randstad aponta que esse movimento não se limita aos mais novos. Trabalhadores mais experientes também reconhecem o valor de rotinas sustentáveis, ainda que muitos mantenham a remuneração como elemento essencial.
A pesquisa indica que, entre profissionais mais velhos, tanto estabilidade quanto salário seguem fortes, mas já não anulam a busca por um cotidiano menos desgastante.
A discussão tem provocado reações distintas no alto escalão das empresas. Enquanto alguns líderes defendem limites e reconhecem que horários equilibrados preservam criatividade e saúde, outros afirmam que grandes conquistas exigem dedicação quase total.
O contraste evidencia que, embora as expectativas dos trabalhadores tenham mudado, parte das lideranças ainda resiste à ideia de que produtividade e bem-estar possam coexistir.
