Na semana passada, o governo federal anunciou uma reformulação nas regras para o financiamento de imóveis voltado à classe média.
A medida, apresentada em evento realizado em São Paulo, reacendeu o debate sobre o acesso à moradia no Brasil e trouxe à tona dúvidas sobre o impacto real das mudanças.
Afinal, o que muda de fato para quem busca comprar a casa própria e como isso afeta as famílias que não se enquadram nos programas habitacionais voltados à população de baixa renda?
Como classe média foi afetada com mudança no financiamento de imóveis
Entre os principais pontos da nova política está o aumento do valor máximo dos imóveis financiáveis dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que passou de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
A alteração amplia significativamente o leque de imóveis acessíveis para famílias de renda intermediária, que muitas vezes ficavam fora tanto do programa Minha Casa Minha Vida quanto das condições do mercado tradicional, marcado por juros mais altos.
Outro ponto importante é o retorno do financiamento de até 80% do valor do imóvel pela Caixa Econômica Federal, dentro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Desde o final de 2024, esse limite havia sido reduzido para 70%.
Com a nova regra, a entrada exigida do comprador volta a ser menor, o que pode facilitar o acesso ao crédito para famílias com renda mensal entre R$ 8 mil e R$ 12 mil — uma faixa muitas vezes negligenciada pelas políticas públicas de habitação.
Novas regras para financiamento de imóveis também afeta poupança
A medida também envolve mudanças na destinação dos recursos da poupança. Atualmente, 65% dos depósitos feitos em caderneta de poupança precisam ser direcionados ao crédito habitacional.
A proposta do governo é, ao longo de um período de transição que vai até 2027, flexibilizar essa regra e reduzir os valores que ficam retidos no Banco Central.
Isso deve permitir que mais recursos estejam disponíveis para o financiamento imobiliário, mesmo com a queda nos depósitos em poupança nos últimos anos.
Para a classe média, a mudança representa a retomada de oportunidades de compra da casa própria com condições mais favoráveis, como juros abaixo da taxa Selic e menor exigência de entrada.
As novas regras já começam a ser implementadas neste ano, com ajustes graduais até a adoção total em janeiro de 2027.
