‘Forever alone’

Longe demais das capitais, astronauta interpretado por Matt Damon faz o que pode para sobreviver sem comida, oxigênio, internet e alguém para chamar de seu em ‘Perdido em Marte’ (Divulgação)
Quase um octogenário, o inglês Ridley Scott continua cheio de disposição. Além de trabalhar nas continuações de “Blade Runner” e da franquia “Alien”, o cineasta de 77 anos ainda encontra tempo para filmar “Perdido em Marte”, ficção científica que chega aos cinemas nesta quinta-feira em todo o Brasil e no dia seguinte nos Estados Unidos. É mais um projeto no gênero em que ele se tornou conhecido desde que entregou ao mundo, em 1979, o clássico “Alien – O oitavo passageiro”, e que conta com um elenco repleto de nomes bem conhecidos em Hollywood, como Matt Damon, Jeff Daniels, Kristen Wiig, Kate Mara, Jessica Chastain, Michael Peña, Chiwetel Ejiofor, entre outros.
“Perdido em Marte” é a adaptação do livro homônimo, escrito por Andy Weir, e que desde seu lançamento (em 2011) se tornou um sucesso de vendas, contando com o auxílio de diversos especialistas para tornar uma hipotética viagem até Marte o mais crível possível, com o mínimo de derrapadas científicas. Essa preocupação com a fidelidade à ciência, inclusive, vem sendo um dos pontos positivos apontados pela crítica. Apesar de ser um filme que precisa recriar as paisagens de outro planeta, “Perdido em Marte” teve um custo de produção de “apenas” US$ 110 milhões.
A história de Andy Weir levada aos cinemas tem como personagem principal o astronauta americano Mark Watney (Matt Damon), que integra uma missão da Nasa à Marte em um futuro próximo. Ele e seus colegas montam uma base no Planeta Vermelho e iniciam a exploração do vizinho da Terra, mas uma violenta tempestade de areia obriga a agência espacial dos Estados Unidos a abortar a missão e botar todos os astronautas para correr. O azar de Mark é que ele é atingido por um pedaço da base que se desprendeu e some no meio da tempestade, seus parceiros o dão por morto e vão embora. Quando enfim desperta, o astronauta descobre que está sozinho, sem meios de se comunicar com a Terra e mantimentos para apenas um mês. Como desgraça pouca é bobagem, a próxima missão a Marte só deve chegar ao planeta dentro de quatro anos.
Mais perdido que cachorro que caiu do caminhão de mudança, Mark Watney poderia pirar o cabeção e se desesperar, tentar resolver a situação sem usar a cabeça ou, então, usar seus conhecimentos de botânica, a perseverança do personagem de Tom Hanks em “Náufrago” e o espírito de McGyver (da série “Profissão: Perigo”) para tentar sobreviver; para sorte dele, é a terceira opção que ele abraça. Os conhecimentos de botânica são usados para criar uma pequena plantação de batatas na estufa da base, adubada graças aos dejetos (isso mesmo, fezes) deixados pela tripulação em embalagens a vácuo; a perseverança serve para ele não desistir de tentar entrar em contato com a Nasa ou quando as coisas dão errado; e o lado McGyver serve para produzir oxigênio e encontrar no planeta alguns dos veículos usados em antigas missões não-tripuladas, como o Sojourner e Pathfinder, que servirão para obter energia e uma forma de se comunicar conosco. Para ajudar a passar o tempo, ele terá como companhia uma seleção de músicas dos anos 70 e 80 que a comandante da missão, Melissa (Jessica Chastain), havia levado.
Como é de se esperar, Mark consegue entrar em contato com a Nasa, que já o considerava morto, um herói etc., e a agência espacial fica relutante, no início, sobre o que fazer com seu astronauta perdido, mas logo resolve que precisa resgatar o rapaz. Ao mesmo tempo, seus companheiros de missão resolvem contrariar ordens superiores e dão meia-volta na nave espacial a fim de salvar o amigo retardatário. Ao contrário do livro, o filme busca equilibrar em termos de tempo na tela os três núcleos, fazendo com que os 600 sóis (como são contados os dias em Marte, que duram 24 horas e 39 minutos) de solidão de Mark Watney passem mais rápido ao mostrar a colaboração mútua no maior resgate espacial da História, batendo fácil o drama visto em “Apollo 13”.
Um ‘feel good movie’ espacial
Dentre os vários pontos positivos de “Perdido em Marte”, a preocupação com a fidelidade à ciência tem sido um dos mais comentados. Segundo especialistas, uma missão ao Planeta Vermelho seria bem parecida com o que se vê na tela grande – com exceção, principalmente, à tempestade que provoca o abandono de Mark, pois a fraca atmosfera marciana jamais provocaria ventos daquela velocidade. A dosagem econômica de dramaticidade nas cenas também é bem vista pelos críticos.
Por outro lado, há quem veja na produção de Ridley Scott um excessivo clima de feel good movie, aqueles filmes em que o sujeito sai da exibição se sentindo bem e esquecendo da história em pouco tempo. Afinal, é difícil imaginar que alguém consiga ficar sozinho em um planeta a 225 milhões de quilômetros de distância, sem saber se vai sobreviver, e encarar toda situação com um “mas que droga!” a cada desafio, seguido de um “uau, ainda bem que me safei dessa!” a cada etapa vencida. Há momentos em que o personagem de Matt Damon parece estar curtindo férias, e não lutando pela vida – sem contar que o astronauta aparenta não ter parentes na Terra para chorarem por ele, e vice-versa, ou algum tipo de carência afetiva, visto que ele não tem companhia para tornar as noites menos vazias.
Mesmo que não chegue perto do deslumbre existencial de “Interestelar”, “Perdido em Marte” ganha fácil de seus “parentes” de anos atrás (“Missão: Marte”, “Planeta Vermelho”) e tem tudo para ganhar o público por ser uma ficção científica bem executada, inteligente e que aposta nas good vibrations, com efeitos especiais que funcionam bem na tela grande.
PERDIDO EM MARTE
UCI 3 (3D/dub): 13h20 (sexta-feira a domingo) e 19h10 (todos os dias). UCI 3 (3D): 16h25 e 22h15. Cinemais 4 (3D/dub): 15h20 e 18h50. Cinemais 4 (3D): 21h40. Santa Cruz 1 (dub): 15h30, 18h15 e 21h
Classificação: 12 anos









