PASSO ADIANTE


Por Tribuna

28/10/2014 às 07h00

O resultado das urnas apontou pela continuidade da gestão petista à frente do Governo federal, mas indicou também uma ascensão do voto de oposição. Em seu discurso de agradecimento, a presidente reeleita disse que o país não está dividido e prometeu tentar ser uma presidente melhor do que foi até agora. Ela sabe que, mesmo não considerando uma divisão, terá que conciliar o país. A campanha deste ano foi a mais polarizada, e o que emergiu das urnas precisa ser pacificado.

Seu primeiro desafio será na composição do futuro ministério e, sobretudo, na elaboração da agenda para o próximo Congresso. De 22, a Casa saltou para 28 legendas, o que, necessariamente, implica o aumento do leque de negociações. A eleição do futuro presidente da Câmara será, pois, emblemática, a começar pelos atores em questão. O PMDB, que pretende continuar à frente da Casa, tem no deputado Eduardo Cunha o seu principal representante. Trata-se de um parlamentar de difícil trato. O PT aposta em Marco Maia ou Arlindo Chinaglia, mas deve avaliar se vale a pena ir para o confronto já no início da legislatura.

O passo mais importante, porém, é tirar do papel as propostas de campanha, algumas delas que precisam, necessariamente, do Congresso, como a reforma tributária. Trata-se de um tema que entrou em quase todos os palanques pós-democratização, mas que tem esbarrado no jogo de interesses, sobretudo dos estados. A presidente também terá que domar a economia e assegurar uma discussão sobre a reforma política. O atual cenário tem sido perverso, pois impõe ao Executivo uma submissão extrema ao jogo de interesses do Legislativo, mesmo tendo o primeiro o poder de agenda.

O fundamental, porém, foi a solidez das instituições. A despeito do jogo bruto de uma etapa da campanha, elas funcionam, e o país, a partir de agora, tem que olhar para o seu próprio futuro.