JF revive a tradição

Banda de rock Martiataka vai se apresentar na barraca dos Estados Unidos nesta sexta, às 20h

Grupo de dança Schmetterling anima a barraca da Alemanha

Festa das Nações em 1973

Arrasta Roots é uma das atrações da festa
Um dos eventos mais tradicionais em Juiz de Fora entre as décadas de 1950 e 1980, a Festa das Nações volta a ser realizada na cidade após uma interrupção de cerca de duas décadas. Organizado pela Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora e Abrasel Zona da Mata, com apoio da Prefeitura, o evento terá início nesta quinta-feira e prossegue até domingo, tentando resgatar o clima de edições passadas, quando as festas de bairro eram algumas das principais opções de lazer para os moradores. Retornando com um tamanho menor que as das edições passadas, a festa será realizada na Praça Bom Pastor, contando com barracas representando países cujos imigrantes ajudaram no desenvolvimento de Juiz de Fora, além de área de lazer para as crianças e atrações culturais. Dez por cento do que for arrecadado serão destinados a dez instituições do município.
Conforme explica o diretor executivo da Abrasel Zona da Mata, Marcos Miranda, serão nove tendas representando as comunidades alemã, argentina, brasileira, espanhola, portuguesa, sírio-libanesa, norte-americana, italiana e francesa, que ficarão sob responsabilidade de restaurantes ligados à culinária do país ou, então, que ofereçam pratos típicos de determinada nação. “São muitas entidades envolvidas, como as associações que representam os países. Uma delas é o vice-consulado da Itália, que terá um grupo de dança se apresentando na festa, assim como o grupo da Associação Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha”, destaca Marcos. A Festa das Nações terá ainda dança do ventre e shows de artistas como Ronaldo Miana, Tuka’s Band, Martiataka, Arrasta Roots e mais duas bandas a serem confirmadas. O Clube do Automóvel Antigo de Juiz de Fora também vai expor, no sábado, alguns automóveis antigos fabricados em alguns dos países que terão tendas no evento. A organização espera receber um público de cerca de 18 mil pessoas. “Teremos espaço coberto para mais de mil pessoas”, ressalta Marcos.
Lembranças de outros tempos
A Festa das Nações, assim como as antigas festas de bairro, foi durante muitos anos uma referência para os moradores do Bom Pastor e outras localidades quando o assunto era lazer e diversão. O evento, porém, teve início no final da década de 1950 para atender a uma demanda específica da comunidade, que era arrecadar fundos para a construção da Igreja Católica do bairro. O motivo escolhido, então, foram as nações que ajudaram a formar a identidade de Juiz de Fora. Mesmo após conseguir arrecadar o valor necessário para erguer a igreja, a Festa das Nações prosseguiu e passou a ter a contribuição de diversas entidades beneficentes. “O antigo prédio das Obras Sociais do Bom Pastor, onde hoje funciona uma escola municipal, foi erguido com recursos da Festa das Nações”, lembra Marcos Miranda. “A festa era uma referência na região”, acrescenta, lembrando que chegou a ser realizada no Parque de Exposições, no Terreirão do Samba e na Avenida Rio Branco antes de ser suspensa.
Um dos idealizadores da Festa das Nações, o empresário João Carlos Campos, de 73 anos, não participa mais da organização da festa e nem poderá estar na abertura, mas espera poder retornar à cidade para o último dia. Ele lembra até hoje do envolvimento da comunidade para a realização da primeira Festa das Nações e de como o mesmo se repetiu por muito anos. “Várias pessoas de destaque na cidade encampavam diversas barracas. A gente pode citar o José Antônio de Assis (família Picorelli), Dirceu Santiago, Darcy Bandeira, Fernando Oiticica, Olavo Cruz, as famílias Miana, Beraldo e Monteiro, Almir de Oliveira… era um grupo imenso. E os integrantes mais idosos das colônias sempre participavam ativamente.”
João Carlos lembra que a festa cresceu a ponto de ter um parque de diversões que contava com atrações móveis enviadas pelo Playcenter. “Infelizmente, o crescimento acarretou outros problemas, que envolviam segurança, limpeza… e muita gente do bairro deixou de incentivar”, lembra, para completar: “Isso faz parte da minha juventude. Nós tínhamos uma coisa rara, que era a interligação dos adultos com os jovens. Eram outros tempos, o oficialato da Região Militar participava, os oficiais do Rio Grande do Sul montavam a barraca do seu estado, até a Prefeitura de Cabo Frio tinha a sua tenda.”
Diversão para todas as idades
A Festa das Nações era um dos eventos que agitavam a galera com mais de 30, 40, 50 anos e até mais. Um deles é o comerciante Marcelo José Lemos, que no site Maria do Resguardo (www.mariadoresguardo.com.br) faz uma compilação de fotos antigas de Juiz de Fora – e a Festa das Nações está lá, com o registro da edição de 1973. “A cidade tinha vários eventos do tipo, como a Festa do Inverno e a Festa da Baleia, no Bairu. A festa no Bom Pastor era muito animada, uma atração da cidade, como hoje é a Festa Alemã no Borboleta. O pessoal se reunia nos bairros e ia para lá.”, conta Marcelo. Vivendo atualmente no Rio de Janeiro, a professora de francês Laila Almeida também guarda boas memórias do evento. “Na minha época, ia para encontrar os amigos, paquerar…”
FESTA DAS NAÇÕES
Dias 1º e 2 de outubro, das 18h às 22h, dias 3 e 4, das 11h às 22h
Praça do Bom Pastor









