ESFORÇO COLETIVO
Acossado por um cenário que não permite mais meias medidas ou adiamento de ações inevitáveis, como o corte dos gastos, o Governo anunciou ontem as medidas que foram discutidas entre a presidente Dilma Rousseff e seus ministros durante dois dias consecutivos no fim de semana. Mexe na política tributária e, como disse o próprio ministro Joaquim Levy, corta na própria carne. Alguns pontos, porém, ainda precisam ser negociados, como a extensão do número de ministérios e a própria CPMF, que carece de aprovação do Congresso.
E é aí que entram os demais poderes. Mesmo tendo sido o Executivo o responsável pela situação a que se chegou, o Legislativo e o Judiciário não podem ficar alheios ao sacrifício. O Congresso tem funcionários em excesso, como as próprias evidências comprovam. As sessões extras da Câmara demandavam 2.500 funcionários, quando os serviços – por constatação própria – poderiam ser feitos com 500. O Senado, mesmo ante um quadro em que se pede o contrário, trocou a frota de carros dos 77 senadores. Não precisava, e o momento é inoportuno. O gasto pode ser mínimo, mas seria simbólico cancelar a compra.
No Judiciário, todos concordam que o reajuste é necessário, mas o pedido do presidente do Supremo para aumentar o salário dos magistrados também ocorreu no tempo errado. Estando todos no mesmo barco, é fundamental o esforço coletivo, sob o risco de se criar um caminho sem volta na crise.
Aos partidos também será cobrada uma ação despojada na hora do corte dos ministérios. Como todos querem um estado menor – pelo menos agora -, não adianta ter um discurso de adesão voltado para as ruas e outro próprio de quem não quer perder espaço na estrutura de poder.











