A obra de arte é a criança

Antes mesmo da abertura, o pequeno Pedro Henrique Koch Schvartz conheceu as instalações que compõem a mostra
Uma mostra em que a criança é espectador e, ao mesmo tempo, obra de arte. Assim é a exposição multimídia que integra o projeto “O que queremos para o mundo”, já desenvolvido na TV e na internet, e que está prestes a ganhar longa-metragem em 2016. Desenvolvido pela Cocriativa, de Belo Horizonte, com patrocínio do Ministério da Cultura, a iniciativa ocupa o Espaço Cultural dos Correios a partir desta quarta-feira, às 19h30, e fica em cartaz até o dia 7 de novembro. Ao entrar em quatro cubos mágicos gigantes, os pequenos poderão participar de minifórum, oficinas de cinema e fotografia.
“Eles vão reencontrar um universo ao qual já estão acostumados a frequentar, que é o da imaginação, o do ambiente lúdico. Também aprenderão que podem compartilhar seus sonhos e contar para a gente o que querem para o mundo. Vamos ouvir essas crianças”, conta o coordenador geral da proposta e sócio-diretor da Cocriativa, Igor Amim. Já que se trata da estreia do projeto em formato de exposição, Igor adianta os detalhes dessa aventura, cuja intenção é potencializar a sensibilidade e a imaginação e proporcionar uma experiência artística para expressão individual e colaborativa.
Quem já assistiu, nos intervalos da programação do canal Gloob, da Globosat, às pequenas inserções de um minuto e 30 segundos em que meninos e meninas dizem o que elas querem para o mundo vai entender bem a proposta. Como acontece na telinha, a ideia é dar voz à garotada. A mostra é dividida em quatro etapas, e, embora seja indicada para os que estão na faixa dos 5 aos 12 anos, dizem que pode ser conferida por toda a família. “A obra de arte é a própria criança brincando.”
É no primeiro cubo mágico, intitulado “Dentro de mim”, que os espectadores irão se deparar com a própria imagem. “Esse é o espaço das sombras, em que as crianças se veem projetadas em larga escala dentro do universo”, comenta Igor, adiantando que a etapa seguinte é a “Floresta sonora”. Nesse momento, o visitante é convidado a tatear uma fita de pano colorida até ativar um som e criar uma trilha sonora. Ao sair de lá, vale conferir “Chuva de cores”. Esse talvez seja um dos pontos que mais despertarão a curiosidade da meninada. Estacionadas diante do cubo, duas bicicletas aguardam o “ciclista”. Ao pedalar o veículo, a criança aciona uma espécie de torneira e mexe as tintas que vão colorindo as paredes, totalmente transparentes.
Para finalizar, impossível não passar pelo “Laboratório dos sonhos”, local em que acontecem as oficinas relacionadas à produção de conteúdo e gravação dos vídeos com os depoimentos que serão disponibilizados no local da mostra e nas redes sociais do projeto semanalmente. As declarações serão exibidas em uma televisão instalada dentro do cubo. “Falamos muito para a infância, mas escutamos pouco. Daí a necessidade de dar uma oportunidade de elas se expressarem”, ressalta Igor, enfatizando o importante papel dos mediadores em todo o processo. “A função deles é facilitar as atividades de troca e diálogo criativo e não somente monitorar.”
O próximo passo é a sétima arte
“O que queremos para o mundo” nasceu primeiro em plataformas multimídia como a internet e dispositivos móveis, para que as pessoas pudessem enviar suas ideias para o canal do projeto no YouTube. Paralelamente, as ações chegaram por meio de oficinas audiovisuais em escolas e festivais ambientais e culturais até ir para a TV. “Somos uma produtora que tinha vontade de dialogar com a infância e somos arte-educadores. Em vez de nós produzirmos o que achamos melhor para o mundo, resolvemos inverter e perguntar para a criança. Essa motivação fez com que a iniciativa se expandisse e se tornasse transmídia. O que importa não é a mídia, mas a história que está por trás dessas mídias”, afirma Igor.
Seguindo com a ação por plataformas mais “complexas”, nas palavras dos próprios criadores, a Cocriativa agora investe nas telonas, com expectativa de lançamento do filme de mesmo nome para o início de 2016. Os recursos foram captados, e a produção está em fase de finalização. Com direção de Igor e roteiro de Vinicius Cabral, também da produtora mineira, o filme apresenta quatro meninas que resolvem montar uma banda e constroem uma casa na árvore para ser o estúdio. Conforme o diretor, toda a história se passa durante o processo de criação de uma canção. Em meio à diversão, serão abordados temas, como bullying, alimentação orgânica, conscientização ambiental e mobilidade urbana.
O QUE QUEREMOS
PARA AO MUNDO
Abertura no dia 9 de setembro, às 19h30. Visitação de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, sábados, das 10h às 14h, até 7 de novembro
Espaço Cultural Correios
(Rua Marechal Deodoro 470 – Centro)









