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Divergências dentro da mesma equipe costumam ser saudáveis, pois dão margem ao aprimoramento das discussões e espaço para o contraditório, mas, vencida esta etapa, o produto final deve ser forjado pelo consenso, isto é, todos com o mesmo ponto de vista sob sua eficácia. Não foi, porém, o que aconteceu com o Orçamento da União, ora na mesa do presidente do Congresso, Renan Calheiros. Criticado pela oposição – o que faz parte do seu ofício -, mas também visto com desconfiança pelos aliados, é uma peça que prevê receita abaixo dos gastos, transferindo para os senadores uma demanda que, em tese, não é deles. O Governo, numa rara honestidade, diz aos políticos que não tem mais de onde tirar dinheiro, restando apenas duas alternativa: cortar gastos, o que implica a redução de ministérios, ou aumentar a receita, insinuando que a CPMF é o que está na conta.
Tanto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, quanto o do Senado, Renan Calheiros, já disseram à presidente Dilma que está havendo um erro de competência. É do Executivo, e não do Legislativo, a definição de medidas econômicas, cabendo às casas apenas avaliar se suas ideias são ou não factíveis. Em suma, avisaram que o problema não é deles, o que pode implicar emendas ou até mesmo a devolução do texto, salvo se a equipe econômica fizer algum adendo, melhorando sua posição.
Este cenário de incertezas é resultado, também, do desencontro entre os ministros. Enquanto Joaquim Levy, da Fazenda, tem um discurso, seu colega Nelson Barbosa, do Planejamento, tem outro, criando dúvidas até mesmo entre os aliados, ora atônitos não apenas em torno da Lei de Meios mas também nas soluções apresentadas. O resultado é visto nos próprios fatos, com lideranças batendo cabeça sem saber que direção tomar enquanto os números da economia definham a cada dia que passa.











