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Usuários ficam sem transporte adaptado


Por Tribuna

26/08/2015 às 07h00- Atualizada 26/08/2015 às 08h33

Pessoas com dificuldade de locomoção não estão conseguindo transporte especial para realizar exames, fisioterapia, consultas e outros tratamentos. O marido de Elyzete Barbosa teve os movimentos prejudicados devido a um acidente vascular cerebral (AVC) e precisa fazer fisioterapia duas vezes por semana. Para levar o companheiro, 64 anos, da sua residência, na Vila Ideal, região Sudeste, até a clínica, no Granbery, ela tem realizado o trajeto de ônibus. “É muito sacrifício porque ele não consegue andar, precisa se apoiar em mim”, desabafa a manicure que deixou a profissão de lado para cuidar do marido.

Elyzete diz que, há um mês, tenta vaga no Sistema Apoio da Astransp, mas sempre recebe como resposta que não tem vaga. “Ligo na terça para tentar vaga na quinta. Eles falam que não há vaga, para eu ligar novamente na quarta. Eu ligo e falam que ainda não tem, para eu tentar na próxima semana. Toda vez é assim, e eles não me encaminham para outro lugar que possa me ajudar com o transporte.”

A assessoria da Astransp explicou que são disponibilizados 14 veículos para atendimento porta à porta, sendo realizadas de 98 a 120 viagens por dia. No entanto, 90% das vagas já são ocupadas por determinação judicial ou da Settra, tornando escasso os horários para os usuários que fazem a marcação por telefone com 48 horas de antecedência. Ainda conforme a assessoria, não há expectativa de ampliação da frota, já que o serviço é inteiramente financiado pela associação, através de iniciativa de contrapartida que não é contabilizada na planilha tarifária.

Já a Settra, através de sua assessoria, informou que conta somente com alguns carros, que prestam serviço para a própria secretaria, para auxiliar neste tipo de atendimento. “O auxílio acontece quando não é possível a adesão ao carro de apoio. Contudo, as vagas são fixas e já estão 100% ocupadas e também são preenchidas mediante mandato judicial”, diz a nota. A assessoria da pasta acrescenta que, para solucionar o problema de forma definitiva, a licitação do transporte coletivo urbano, que está em andamento, propõe a inserção do Serviço de Apoio no sistema.

A coordenadora da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/JF), Anna Ede, disse que o SUS tem a obrigação de fornecer esse tipo de transporte. No entanto, como não há vagas, a advogada orienta aos usuários a entrarem com mandado judicial.