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Mais 3 adolescentes são ouvidas


Por SANDRA ZANELLA

21/08/2015 às 07h00

Três adolescentes, de 13, 15 e 16 anos, prestaram depoimento na manhã de ontem à Polícia Civil sobre o caso do homem, 35, suspeito de pedofilia, preso em flagrante, na semana passada, após ter sido denunciado pelo próprio pai de uma menina, 9, alvo do suposto abusador no Facebook. De acordo com a delegada da Especializada de Atendimento à Mulher, Ione Barbosa, as jovens, moradoras do município de Chácara, não chegaram a ser, de fato, vítimas do suspeito, mas já haviam estabelecido amizade com ele na rede social e, possivelmente, poderiam vir a sofrer algum abuso, caso ele não tivesse sido preso.

“Duas delas aceitaram a solicitação de amizade, mas não chegaram a estabelecer uma conversa. Já a outra, de 15 anos, contou que ele a seduziu, dizendo que era linda e falando outros elogios. Ele chegou a dizer que iria encontrá-la na exposição em Chácara, e falava que havia muitas meninas bonitas lá”, informou Ione. Segundo ela, a partir da repercussão do caso, pessoas próximas às adolescentes as alertaram sobre o suspeito com quem mantinham amizade virtual. A partir daí, os próprios familiares delas tomaram conhecimento, e o Conselho Tutelar de Chácara foi acionado, sendo o fato comunicado à Polícia Civil, que requisitou as declarações das jovens.

Para a delegada, apesar de as relações não terem configurado um crime, os depoimentos reforçam que a intenção do investigado era seduzir meninas pela rede social e, a partir das conversas, tentar marcar encontro com elas. “Vimos que as fotos delas chamaram a atenção dele. Uma das adolescentes o aceitou (no Facebook) porque ficou curiosa com o perfil de ‘Batman’ que ele usava e acabou sendo seduzida. Já outra afirmou aceitar todas as solicitações de amizade”, observou Ione.

 

Indiciamento

A delegada deve concluir hoje o inquérito, mas não confirmou qual será o indiciamento do suspeito, preso em flagrante por tentativa de estupro de vulnerável, por abandono de incapaz, já que teria deixado o filho autista de 5 anos sozinho em casa para se encontrar com a garota de 9 anos, e também por transmitir fotos e vídeos com cena de sexo explícito ou pornográfica, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“Os depoimentos dessas adolescentes vão colaborar para os indícios de que ele vinha agindo dessa mesma forma, seduzindo meninas. A conversa começa com elogios, que, aos poucos, vão se tornando mais picantes. Como nesses casos não foram enviados vídeos e fotos de conteúdo erótico, não houve crime”, explicou Ione. Ela ainda aguarda o possível comparecimento de outros dois supostos alvos do suspeito na internet, até a conclusão do caso.

A prisão dele aconteceu no dia 12 graças ao empenho do pai da vítima da menina de 9 anos, aliciada pelo suposto pedófilo no Facebook. O empresário, 33, tinha o costume de monitorar as redes sociais da filha e desconfiou das conversas que a menina mantinha com o homem. Ele usava um perfil “fake” na rede social, com nome falso e imagem do personagem Batman. Também chamou atenção o fato de que ele teria praticamente apenas amigos da faixa etária da garota. O suspeito foi capturado nas imediações de uma padaria na Zona Nordeste, durante encontro armado pela Polícia Civil, que passou a acompanhar as conversas, que ele pensava estar tendo com a criança.

O investigado já havia enviado para a menina, via e-mail, várias postagens de vídeos e fotos com cunho explícito de sexo de adulto com criança. Em depoimento, ele alegou que não iria chegar aos atos executórios com ela. Quando a polícia chegou à residência do suspeito, na Zona Leste, para apreender o computador dele e encaminhar à perícia, a equipe ainda constatou que ele havia deixado o filho autista de 5 anos sozinho em casa, para poder encontrar com a garota.