Simplesmente Formô

Elenco de Formô se reuniu, pela primeira vez, na sexta edição do Festival de Cenas Curtas (Divulgação)
Os atores estavam reunidos, sabiam que queriam fazer teatro juntos, mas o grupo ainda não estava batizado. De repente, simplesmente, Formô. “Vários nomes foram pensados e não agradavam, até que alguém sugeriu um interessante, e então dissemos: Formou! Foi quando bateu o estalo, e percebemos que esse era um bom nome, sonoro e fácil de lembrar. Escrevendo informalmente, ficou Formô”, conta Anderson Mozão, um dos integrantes da jovem companhia, ao lado de Raphael Gomes, Danyela Silvério, Laura Caputo e Regi Sobreira. O grupo lança, neste sábado, a comédia de estreia “O rabo dos preás”, com única apresentação, às 20h, na Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora.
O espetáculo, com texto e direção de Raphael Gomes, traz quatro moradores de um prédio invadido que estão às voltas com falta de água e luz, alta das taxas e as gambiarras diárias. A situação (bem semelhante ao que se vive na atualidade) se aperta, e a solução encontrada é trocar de síndico. O problema é que nada muda. Quem terá coragem de tomar uma atitude? Eis a questão apresentada pelos personagens. “O preá, como todos sabem, é um bicho que não tem rabo. E toda a história gira em torno de uma alegoria em que as coisas não são o que parecem ser, os preás com rabos e codornas que voam representam, na forma da comédia, verdades que no dia a dia deveriam nos chocar, mas nos acostumamos demais com elas”, explica Mozão. “Colocadas invertidas, essas verdades nos chamam atenção, rimos delas por serem absurdas, para, em seguida, voltarmos a vê-las como chocantes, pois absurda é a realidade.”
Para rir e refletir
Analisando a proposta de lançamento, não foi à toa que essa turma escolheu o texto de Raphael como primeiro projeto. O objetivo é fazer rir, e muito, mas falar de assunto sério. “Achamos que a comédia pode mais que apenas provocar o riso fácil”, observa Mozão, destacando, contudo, que a companhia prefere não apontar uma função para o teatro. “É bom quando ele agrada e leva a pensar. Brecht dizia que o teatro é, antes de tudo, entretenimento. Parece que, às vezes, as pessoas se esquecem disso. Esquecem que o público quer gostar do que vê, quer rir ou se emocionar.”
No ramo, os atores não são novos, pois cada um chega com a experiência acumulada em escolas distintas. Enquanto uma parte do elenco vem do curso de teatro do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, a outra vem do Grupo Caminho Novo, de São José das Três Ilhas. Foi depois de um trabalho em conjunto, na sexta edição do Festival de Cenas Curtas, promovido pela Funalfa em 2015, que a ideia de formar um grupo aflorou. Em “O rabo dos preás”, os intérpretes se movimentam diante do espectador com figurinos realistas, embora caricatos. Não há trilha sonora. Com a intenção de transitar por vários gêneros, o Formô já planeja se debruçar sobre um drama, além, é claro, de seguir com “O rabo dos preás”. “Dia 15 serve como marco inicial da nossa trajetória, que pretendemos que seja longa.”
O RABO DOS PREÁS
15 de agosto, às 20h
Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora
(Rua Oscar Vidal 134 – Centro)









