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Transplantes renais crescem na Santa Casa


Por KELLY DINIZ

06/08/2015 às 07h00- Atualizada 06/08/2015 às 08h38

A Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora registrou um aumento de 16% no número de transplantes renais realizados na unidade. O crescimento é significativo, principalmente levando-se em consideração que o percentual de transplantes renais no país teve uma queda de 7,6%. Conforme a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, a Santa Casa figura entre as maiores transplantadoras do país e, desde 2013, é a segunda em Minas Gerais.

Durante todo o ano de 2014, foram realizados na instituição 77 transplantes renais, sendo 53 oriundos de doador falecido e 24 de doador vivo. No primeiro semestre de 2015, foram 51 procedimentos. Sete a mais em comparação ao mesmo período em 2014, quando foram feitos 44. No entanto, conforme o nefrologista responsável pelo Ambulatório Pré-transplante Renal da Santa Casa, Gustavo Ferreira, o aumento ainda é insuficiente para suprir todos os pacientes que necessitam de um rim. “O crescimento ocorreu porque o número de doações aumentou na região. Mas a gente sabe que ainda é pequeno. Cresceu, mas foi aquém do que precisava. Somente na região, temos 270 pessoas aguardando por um rim. Dessas, sabemos que apenas 50% vão conseguir realizar um transplante nos próximos três anos.” Em Minas, até março, havia 2.520 pessoas aguardando por um rim. No país, são 18.818 pacientes na fila.

A espera por um rim é angustiante. “A gente não sabe quando vai conseguir um doador e nem se vai conseguir”, desabafa a professora aposentada Demétria Aparecida, 50 anos. “Onde eu faço hemodiálise, tem gente que está esperando há 23 anos”, completa. Demétria teve granulomatose de Wegener, uma doença autoimune que atacou os principais órgãos – rins, pulmão e coração. “A doença aconteceu em maio de 2013 e foi tudo muito rápido. Eu já fui internada iniciando a hemodiálise. Os meus outros órgãos foram voltando a funcionar, mas os rins paralisaram.”

A perda dos rins mudou completamente a vida de Demétria, tirando dela pequenos prazeres e a própria liberdade. “Nosso ir e vir fica polido. Viajar é complicado. Eu faço hemodiálise no sábado. Às vezes, meus familiares precisam mudar as datas dos eventos para domingo, porque nem sempre eu saio bem da hemodiálise. Dá muito enjoo e dor de cabeça. Eu tenho filhos adolescentes, e muita coisa que fazia antes com eles, não posso fazer mais, como ir buscar a minha filha em algum lugar. Os rins funcionam 24 horas por dia. A gente precisa sobreviver com quatro horas por dia, três vezes na semana.”

Esposa dá ‘vida nova’ ao marido

Não é a falta de estrutura, mas a negativa da família o principal motivo para que um órgão não seja doado. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 43% das famílias se recusaram a doar órgãos de parentes com morte cerebral. Para o nefrologista responsável pelo Ambulatório Pré-transplante Renal da Santa Casa, Gustavo Ferreira, a recusa se deve à falta de informação, em 2014. “Os familiares não entendem que a pessoa faleceu. Se os familiares se informassem como funciona o serviço e os benefícios da doação, o crescimento de transplantes poderia ser ainda maior.”

Em 21 de junho de 2013, Antônio Afonso da Silva nasceu de novo. Após muita resistência à ideia da esposa Vera Lúcia Silva, 50 anos, de lhe doar um rim, ele não pôde mais adiar. “Eu comecei a fazer hemodiálise em 2005. A minha esposa sempre quis me doar, mas eu tinha receio de prejudicar a saúde dela. Optei por esperar um doador falecido. Mas, em 2012, eu fiquei muito mal, tive infecção forte e aí não teve jeito, tive que aceitar o rim dela. Eu agradeço muito a Deus por tudo ter dado certo.”

Vera conta que tinha medo de doar, mas a vontade de ver o marido sair da situação de debilidade em que se encontrava era maior. “Imagina se tivesse acontecido alguma coisa cm ele, eu podendo ajudar sem ter feito nada? Seria um grande remorso. É um bem tão grande que a gente faz, a gente se sente feliz.” Ela conta que a recuperação foi rápida e que o rim retirado não lhe faz falta. Segundo o nefrologista, para uma pessoa ser doadora em vida, é realizada uma avaliação rigorosa, para saber se, no futuro, ela terá problemas decorrentes da doação. Assim, somente são realizadas as doações consideradas seguras.