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UFJF suspende retorno às aulas


Por Tribuna

29/07/2015 às 07h00- Atualizada 29/07/2015 às 08h38

Medida foi tomada pelo Conselho Superior (Consu) da universidade que se reuniu nos últimos dois dias (Marcelo Ribeiro/28-07-15)

Medida foi tomada pelo Conselho Superior (Consu) da universidade que se reuniu nos últimos dois dias (Marcelo Ribeiro/28-07-15)

A UFJF decidiu ontem pela suspensão do início das aulas dos cursos de graduação, antes previsto para a próxima segunda-feira, dia 3 de agosto. A decisão foi tomada após reuniões do Conselho Universitário (Consu) nos últimos dois dias, considerando dificuldades administrativa e operacional para efetivação de matrículas de novos alunos diante da greve dos técnicos-administrativos que já ultrapassa 60 dias. Para comprovar a matrícula, feita inicialmente de forma on-line, seria necessária a apresentação de documentos pelos alunos, análise impossibilitada pela falta de técnicos. A decisão não afeta os cursos da Pós-graduação e o Colégio de Aplicação João XXIII. Segundo o reitor Júlio Chebli, será proposta uma reavaliação periódica, com acompanhamento da situação da instituição para que as aulas sejam retomadas.

Um fator que pesa na decisão é a situação orçamentária e financeira da universidade. Diante dos cortes propostos pelo Governo federal, reduzindo em 10% o orçamento para custeio e 47% de capital (referentes a investimentos em obras), a universidade gerencia a aplicação dos recursos. “O orçamento efetivo da universidade para custeio era de R$ 80 milhões e caiu para R$ 72 milhões. Já o de capital, de R$ 61 milhões, foi reduzido para R$ 30 milhões. Com esse orçamento, é possível iniciar as aulas, a decisão não se deve à situação orçamentária, mas estamos levando isso ao MEC, que é sensível à situação da UFJF”, afirma o pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Gestão, Alexandre Zanini, em referência às negociações com o secretário-executivo do Ministério, Luiz Cláudio Costa.

Segundo Zanini, com os cortes estabelecidos, assim como outras universidades já se posicionaram, seria possível manter o funcionamento da UFJF apenas por dois meses. Ele explica que alguns instrumentos orçamentários inclusive já foram apresentados ao Ministério para garantir a capacidade financeira até o fim do ano letivo. “A Universidade não vai fechar. Existem possibilidades reais hoje de o orçamento de custeio avançar e terminarmos o nosso ano tranquilamente, transferindo recursos de capital para este fim. Mas, para isso, precisamos de autorização do Governo federal, que avalia a demanda e a possibilidade de fazer esta conversão”, aguarda.

Com este mecanismo, segundo o pró-reitor, seria possível garantir o pagamento das bolsas e repactuar contratos com fornecedores, inclusive alertando para a dificuldade de pagamentos. Débitos da UFJF junto à Cemig e à Cesama estão incluídos nesta medida. Zanini afirma que algumas ações já estão sendo implantadas, como a revisão do pagamento de diárias e passagens, além da implantação de um serviço de Voip, para redução de custos com ligações telefônicas. O pró-reitor assegura o pagamento de bolsas como prioritário, tão logo recursos sejam liberados.

Outra preocupação da Administração Superior se dá em relação ao orçamento para 2016. “É fato que o país enfrenta uma crise. Para o próximo ano, se formos otimistas, teremos um ano igual a esse. Precisamos reavaliar todo o orçamento do ano que vem, repactuando o cronograma de obras. Uma situação é o orçamento aprovado, a outra é o financeiro. A UFJF terá que se redimensionar para o próximo ano”, prevê.

Transmissão das reuniões

Uma das demandas apresentadas pelos estudantes durante o movimento Ocupa UFJF foi a transmissão de reuniões pela internet. Segundo o reitor, a decisão será colocada em votação na próxima reunião, já que um dos conselheiros pediu vistas à proposta. Sobre a questão do apoio estudantil, Chebli garante que as medidas já estão sendo tomadas. “Fizemos três pagamentos emergenciais e estamos fazendo o edital para acelerar o processo para conseguir atender à demanda dos alunos. Uma comissão irá trabalhar na avaliação da moradia estudantil”, disse.