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Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária e ameaça de impeachment

Colapso do Banco Ueno, que concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, provocou protestos e a perda de apoio político ao presidente


Por Pedro Lima / Estadão Conteúdo

05/11/2026 às 14h28

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária e ameaça de impeachment
(Foto: reprodução / rede social – Santiago Peña)

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5), sua renúncia ao cargo, em meio à crise bancária provocada pelo colapso do Banco Ueno e à ameaça de impeachment, após perder o apoio de seu próprio partido. Em pronunciamento em vídeo, o mandatário afirmou que tomou a decisão para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.

“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade de nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou Peña. “Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, acrescentou.

O presidente também pediu desculpas à população por eventuais falhas durante seu governo. “Nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, afirmou, ao defender que a história se encarregará de julgar os acontecimentos que levaram à sua saída.

Peña destacou que sua principal preocupação agora é a proteção dos depósitos bancários e dos recursos públicos afetados pela crise financeira. Segundo ele, é necessário assegurar que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua finalidade. “Por trás de cada depósito há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares”, disse.

A renúncia ocorre após o ex-presidente do Paraguai e atual presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, Horacio Cartes, e as principais bancadas governistas do Partido Colorado anunciarem apoio ao impeachment de Peña. A Câmara dos Deputados havia iniciado nesta manhã a análise da acusação constitucional contra o mandatário.

A crise teve início após a intervenção do Banco Central no Banco Ueno, instituição ligada a antigos sócios de Peña. O banco concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos da previdência estatal. O colapso provocou protestos em Assunção e a detenção de oito executivos e empresários.

Pela Constituição paraguaia, o vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor de Peña na Presidência.