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Conheça Luan Costa: saxofonista e regente ‘apaixonado por música’

Na coluna ‘Sem lenço, sem documento’ desta semana, conheça o artista Lubayê e o Maestro Luan, frentes diferentes de trabalho do mesmo jovem


Por Elisabetta Mazocoli

01/11/2026 às 06h00

Com 16 anos, Luan Costa tocou saxofone pela primeira vez. Sua trajetória na música inclui experiências com bateria, flauta doce, flauta transversal e piano, além de uma tentativa de arranhar o clarinete. Esses aprendizados, que começaram por influência da família cheia de musicistas e cantores, tiveram continuidade no projeto social “Toque e se toque”, da UFRJ, e geraram bagagem e repertório até que ele se encontrasse. E isso aconteceu.

Conheça Luan Costa: saxofonista e regente ‘apaixonado por música’
Foto: Divulgação

Para Luan, que se considera muito tímido, foi uma revolução: “É muito difícil abrir a boca e falar o que estou pensando. E quando comecei a tocar sax, não precisava mais falar. Ele falava por mim. Isso me trouxe sentimentos que eu não tinha acessado antes, meus com os outros e dos outros comigo. E isso me faz refletir muito até hoje sobre o meu lugar na música”, conta. Atualmente, com 25 anos, ele é conhecido pelo nome artístico de Lubayê ou como Maestro Luan, já que sua trajetória também o levou para a regência.

Foi com a mudança do Rio de Janeiro para Minas Gerais que Luan passou a se aprofundar ainda mais na música, por meio do contato com a Banda Musical de Santa Bárbara e, em seguida, com o Conservatório Estadual de Música Haidée França Americano (CEMHFA), em Juiz de Fora. Esses foram, como ele define, alguns de seus “berços musicais”.

Foram anos estudando com o saxofonista Tiago Guimarães para se aperfeiçoar, inclusive passando pelo período da pandemia e repetindo um ano do curso para garantir que se formasse como alguém capaz de “alcançar o mundo”. Em 2023, conta que fez o seu recital de formatura no conservatório com uma jaqueta prateada brilhante, que as pessoas se lembram e comentam até hoje. 

Luan conciliou essa experiência com o curso de Música na UFJF e, aos poucos, começou a dar aulas no conservatório. Atualmente, são cerca de 16 alunos que atende, de diferentes idades, todos interessados no mesmo instrumento que ele. “A gente tem o molho”, ele diz, sobre o diferencial do sax. É o que também o leva a se apresentar em eventos e casas de Juiz de Fora, como fez no dueto com Matheus Vieira, no Brasador Sessions.

Conheça Luan Costa: saxofonista e regente ‘apaixonado por música’
Foto: Divulgação

A rotina, muitas vezes, fica complicada. “Meus horários são bem picados. Tento encaixar minhas aulas da faculdade com as aulas que eu dou, então estou sempre indo de um lado para o outro”, diz. Mas, para ele, essa caminhada compensa: a sensação de ver um aluno dando o máximo e satisfeito com o próprio resultado dá sentido ao trabalho. É a mesma força que sente que a música teve em sua vida. “Se eu não tivesse sido posto em um palco, todo nervoso, sem conseguir nem falar para tocar, não tinha destravado.”

Organização musical

Apesar de o saxofone ser o grande amor de Luan, ele mesmo se surpreendeu ao descobrir uma outra paixão: a regência musical. Foi ainda na Banda Musical de Santa Bárbara que ele teve as primeiras experiências ocupando essa posição, enquanto no conservatório também ia estudando sobre essa prática. Aos poucos, começou a aplicar. “É muito desafiador ser regente. Antes de pensar em regular o próximo, você precisa regular a si mesmo. E só Deus sabe como é regular a si mesmo”, conta.

Conheça Luan Costa: saxofonista e regente ‘apaixonado por música’
Foto: Divulgação

Desde então, já são dois anos de trabalho, dando “os primeiros passos” no que planeja ser uma caminhada muito maior. A função, para ele, é de grande responsabilidade. “Eu tenho que moldar a massa sonora que a orquestra tem a oferecer. Nós trazemos para fora o que de máximo a banda tem para oferecer”, complementa.

Foi entendendo mais sobre a regência que também viu a possibilidade, no conservatório, de formar a banda de música contemporânea Harpia CEMHFA, que toca choro, bossa, blues e jazz. O grupo, que começou em junho deste ano, reúne músicos profissionais e estudantes, e tem o papel de criar uma subcomunidade dentro desse espaço já estabelecido. “Assim, podemos criar uma conexão maior e desenvolver nossa habilidade rítmica”, destaca ele, que rege os musicistas no clarinete, trombone, saxofone, trompete, tuba, bumbo, caixa e bateria.

Para bancar os sonhos

A atuação como artista exige que Luan mantenha frentes diferentes de trabalho e crie até “personas” específicas para isso. Isso faz parte do esforço que assume para viver de música, como consegue atualmente. “Meus sonhos ainda não existem. Eles estão sendo construídos”, conta ele, que acredita que a maior diferença é ter um direcionamento para isso e ter um caminho em que seja possível enxergar um horizonte. Também por isso, cobra dos poderes públicos municipal e estadual políticas de incentivo à categoria que ultrapassem projetos específicos e individuais e contemplem o desenvolvimento coletivo.

Em sua percepção, no entanto, viver de música também envolve um desafio interno muito grande. “É ter peito e assumir as próprias decisões. Nem sempre isso vai trazer um benefício imediato para a gente. Mas se nos posicionamos assim, se acreditamos, precisamos fazer dar certo”, diz.