Quatro policiais civis de JF são presos em operação do MP e da Corregedoria
Investigação apura organização criminosa envolvida em práticas como extorsão, agiotagem e lavagem de dinheiro relacionadas ao tráfico de drogas
Quatro policiais civis lotados em Juiz de Fora foram presos preventivamente, nesta quinta-feira (15), durante a operação Abre-te, Sésamo, deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça de Combate ao Crime Organizado e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Entre os alvos estariam um delegado e três investigadores, mas os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
“A operação é um desdobramento da operação Ali Baba, conduzida pelo MPMG, que apurou a atuação de organização criminosa envolvida em práticas como extorsão, agiotagem e lavagem de dinheiro relacionadas ao tráfico de drogas na cidade de Juiz de Fora”, destaca o MP, acrescentando que os quatro mandados de prisão preventiva cumpridos foram expedidos no âmbito da investigação que apura a possível participação dos policiais civis nessa organização criminosa.
Além das prisões, a Abre-te, Sésamo contou com o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão, medidas judiciais de sequestro e indisponibilidade de bens móveis e imóveis. As ordens foram executadas por policiais civis da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, com apoio de promotores de Justiça, servidores do MPMG e agentes do Gaeco.
Conforme o MP, “novas informações serão oportunamente divulgadas, conforme o avanço dos trabalhos”, e detalhes, como os cargos ocupados pelos policiais presos, não foram divulgados.
A Tribuna entrou em contato com a assessoria da PCMG para saber quais sanções administrativas os policiais envolvidos podem sofrer e onde eles permanecerão detidos. A matéria será atualizada se houver retorno. Em nota, a PC em Juiz de Fora afirmou que “a Corregedoria-Geral da Polícia Civil não compactua com eventuais desvios de condutas de servidores da instituição”.
Dez investigados na Ali Baba foram condenados, incluindo dois PMs
Dez pessoas denunciadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) relacionadas à operação Ali Baba, deflagrada pelo Gaeco em julho de 2023, foram condenadas em agosto do ano passado. Entre os réus, estão dois policiais militares e três mulheres. As penas chegaram a 48 anos de reclusão pela prática dos crimes de usura, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.
Segundo o MPMG, o Procedimento Investigatório Criminal foi instaurado a partir de uma notícia crime enviada pela própria Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), informando sobre a existência de um grupo de pessoas suspeitas de integrarem uma rede criminosa envolvida com o tráfico de drogas, tráfico de armas, agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.
“O relatório da PMMG apontava, inclusive, o envolvimento de dois policiais militares com traficantes de drogas e armas atuantes nos bairros Santo Antônio e Vila Ideal. Os militares teriam se associado aos traficantes, ficando responsáveis pela proteção pessoal dos criminosos e dos ‘negócios da organização’, principalmente com o monitoramento e o repasse de informações privilegiadas”, detalhou o MP.
Ainda conforme o órgão, os negócios escusos evoluíram para a lavagem de dinheiro por meio de financeiras que emprestariam dinheiro a juros exorbitantes, de até 20%. “Para assegurar o cumprimento das obrigações pelos clientes, o grupo criminoso se valeria de ameaças, violência física e intimidações aos clientes e seus familiares. No processo de cobrança, funcionários e gestores dessas empresas utilizavam-se de grande violência e grave ameaça, com emprego de arma de fogo, praticando de maneira reiterada diversos crimes de extorsão.”
De acordo com a investigação, boa parte do dinheiro utilizado como capital de giro para os empréstimos seria proveniente do tráfico de drogas. “Os denunciados passaram a captar clientes interessados em ‘investir’ nos negócios do grupo criminoso por meio de empresas criadas para acobertar a prática de agiotagem e extorsão. Em troca, os supostos investidores, que possuíam ciência de como os denunciados potencializavam os ganhos e retornos, receberiam rendimentos em valores muito superiores aos de mercado.”
O processo segue em andamento com os recursos. A Justiça também determinou a perda de bens e valores decorrentes das atividades criminosas, após o trânsito em julgado, e a perda da função pública dos dois policiais.









