Após dez meses, trânsito é liberado em rua atingida por cratera no Bonfim
Rua Professor Francisco Faria recebeu asfaltamento provisório, mas ainda depende de intervenções para a conclusão das obras
A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) anunciou, na terça-feira (13), a liberação do trânsito de veículos e pedestres na Rua Professor Francisco Faria, após dez meses de interdição. O trecho fica entre as ruas Barão do Retiro e Américo Lobo, no Bairro Bonfim, na divisa com os bairros Manoel Honório e Bairu, na Zona Leste da cidade.
A rua havia sido destruída após o rompimento da tubulação do Córrego Matirumbide, que interrompeu completamente a passagem pelo local desde a noite de 15 de dezembro de 2025, quando fortes chuvas atingiram a cidade.
Segundo a PJF, a via recebeu asfaltamento provisório para permitir a circulação de veículos enquanto as obras continuam. Ainda precisam ser concluídos o aterramento lateral, a construção do meio-fio, da calçada e das bocas de lobo. Após essa etapa, serão executados o asfaltamento definitivo e a sinalização da via.
Além da rua, o desabamento também atingiu a garagem de Paulo Braz, de 65 anos, morador de um imóvel na esquina. A garagem funcionava como uma proteção para a residência e ainda não pôde ser reconstruída. Para iniciar a reconstrução, que será custeada com recursos próprios, Paulo depende da conclusão do aterramento e da compactação do solo pela Prefeitura, até que o terreno alcance o nível anterior ao desabamento. Foi o que relatou à Tribuna nesta quarta-feira (14).
Em dezembro de 2025, ele já havia relatado que o problema era recorrente no local: “Pelo tempo que eu moro aqui, há 25 anos, já é a terceira vez que essa rua cai. Essa cratera abriu outras duas vezes, mas não com essa mesma proporção”. À época, também demonstrava preocupação com a duração dos trabalhos: “Essa obra aí vai ser grande, vai demorar.”

Prazo de liberação e impactos de dez meses de interdição
A placa oficial instalada no local previa a conclusão dos trabalhos de canalização do Córrego Matirumbide para o dia 13 de outubro. A intervenção incluiu a reconstrução da galeria rompida, com uma estrutura de concreto armado. Embora a via tenha sido liberada na data indicada, a obra ainda não foi totalmente concluída, e o trânsito foi retomado de forma provisória.
A liberação, no entanto, ocorreu após o prazo anunciado anteriormente pela Prefeitura à Tribuna. Em agosto, o Executivo municipal havia informado que a circulação seria retomada até o fim de setembro: “A liberação da pista (Rua Professor Francisco Faria) está prevista para o final do mês de setembro.”
As obras emergenciais de recuperação da rua tiveram início em maio, cinco meses após o desabamento, com investimento de R$ 2.333.578,79, obtido pelo Município junto à Defesa Civil Nacional. Durante os dez meses de interdição, a Tribuna acompanhou a situação da via e os transtornos enfrentados por moradores e comerciantes da região.
No dia 7 de janeiro deste ano, a reportagem retornou ao local. “Não apareceu ninguém aqui, as últimas pessoas que apareceram aqui foram vocês”, disse Paulo, na ocasião. Segundo o morador, a Defesa Civil havia comparecido ao imóvel apenas no dia do desabamento, em dezembro, quando informou que ele poderia continuar acessando a residência. Fora isso, “ninguém apareceu para dar uma justificativa”. “Não por causa da minha garagem, mas porque a rua que caiu está fazendo muita falta para todos nós.”
Em março, durante a terceira visita da reportagem, a situação havia se agravado. A cratera continuava aumentando e comprometendo uma área cada vez maior da via, atingindo também parte da Praça Padre Léo, em frente à residência de Paulo. Um alambrado havia caído, um muro apresentava uma grande rachadura e os bancos da praça estavam cercados por barro, enquanto o calçamento se soltava.
Na ocasião, o morador relatou a insegurança provocada pela exposição de parte da residência, após a queda da garagem. “A gente não dorme direito desde o dia 15 de dezembro”, contou Paulo. “Estamos com isso aberto, tem que ficar dormindo com um olho aberto e contar com a ajuda deles (Prefeitura), mas a prioridade deles nunca é aqui”. Segundo o aposentado, a Defesa Civil não havia retornado ao imóvel durante as chuvas do fim de fevereiro, apesar dos danos registrados em dezembro.
Os transtornos também afetaram os estabelecimentos comerciais da região. Luiz Henrique, dono de um hortifruti em frente à casa de Paulo, criticou, em março, a demora na recuperação da via. “Essa rua caiu ano passado. A gente está quase na metade de março e está pior do que estava.”
Em janeiro, o comerciante havia relatado prejuízos de aproximadamente R$ 2 mil por semana devido à interrupção do trânsito. Dois meses depois, afirmou que as vendas haviam se recuperado parcialmente, mas ainda poderiam ser maiores caso a rua estivesse liberada. “Essa rua dificulta bem mais o acesso. E está visível que a cratera está aumentando, e o mato está crescendo.”
Naquele período, Paulo e Luiz Henrique também relataram que uma loja de materiais de construção havia encerrado as atividades no local e se transferido para o Bairro Linhares. Ambos acreditavam que a mudança poderia estar relacionada aos transtornos provocados pela interdição.
Na última visita da Tribuna ao local, em agosto, outros estabelecimentos já haviam fechado, entre eles um salão de beleza e uma hamburgueria. Uma padaria localizada na esquina também permanecia separada do restante da via pela cratera.
Além dos impactos sobre moradores e comerciantes, o desabamento comprometeu parte da Praça Padre Léo. Em agosto, a Prefeitura informou à reportagem que as obras na Rua Professor Francisco Faria não contemplavam a reconstrução da praça, para a qual “serão necessários estudos urbanísticos, estruturais e, principalmente, ambientais”. O espaço público havia sido implantado após reivindicações dos moradores, que relataram melhora na sensação de segurança com a criação da praça.
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