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Na reta final, Lula e Flávio Bolsonaro colocam Juiz de Fora na rota das campanhas

Presidente visita a cidade nesta sexta, enquanto candidato do PL tem agenda prevista para a véspera do pleito


Por Pâmela Costa

14/10/2026 às 06h15

Juiz de Fora vai receber os dois candidatos à Presidência da República na reta final da campanha para o segundo turno das eleições gerais de 2026. O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem visita prevista à cidade nesta sexta-feira (16), enquanto o senador e candidato desafiante, Flávio Bolsonaro (PL), deve desembarcar no município uma semana depois, no sábado (24), véspera da votação.

Em Juiz de Fora, o candidato do Partido dos Trabalhadores recebeu 151.552 votos (49,58% dos válidos), uma vantagem de 24.588 votos sobre Flávio Bolsonaro, que somou 126.964 votos (41,53%). O resultado contrasta com o cenário registrado em Minas Gerais e no país, onde o candidato do Partido Liberal terminou à frente do presidente, com uma diferença de cerca de 500 mil votos no estado e de mais de 2 milhões em todo o território nacional.

Lula, que esteve na cidade em fevereiro, após o desastre socioambiental que atingiu Juiz de Fora e Ubá, virá pela primeira vez durante a campanha. A visita, confirmada pela assessoria do diretório mineiro do Partido dos Trabalhadores, ocorre após o presidente ter liderado a votação no município no primeiro turno das eleições. A previsão é que ele participe de um ato na Praça da Estação, no Centro, às 12h desta sexta-feira (16). Até o momento, o roteiro completo da visita não foi divulgado.

No dia 30 de setembro, a quatro dias do primeiro turno, o presidente chegou a pousar no Aeroporto Regional, em Goianá, mas não houve condições para o deslocamento até Juiz de Fora. O ato em apoio à reeleição do presidente, entretanto, foi realizado mesmo sem sua presença e reuniu a prefeita Margarida Salomão (PT), além de candidatos da coligação que disputaram vagas na Câmara dos Deputados, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e no Senado Federal.

Passado o primeiro turno, no dia 8 de outubro, outro ato em apoio ao presidente tomou as ruas de Juiz de Fora, mesmo sem sua presença. Organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a manifestação saiu da universidade em direção ao Parque Halfeld.

Já Flávio Bolsonaro deve retornar a Juiz de Fora pela segunda vez desde o início da campanha eleitoral. A primeira visita do candidato estava prevista para 17 de agosto, mas foi adiada. A passagem pela cidade ocorreu em 9 de setembro, quando participou de uma carreata ao lado de apoiadores em direção à Rua Halfeld, no Centro, local onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi atingido com uma faca durante a campanha eleitoral de 2018. Atualmente, Jair cumpre regime de prisão domiciliar.

A vinda de Flávio a Juiz de Fora foi acompanhada por outros integrantes do PL, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira, que conquistou a maior votação do país para a Câmara dos Deputados em 2022, feito que repetiu nas eleições de 2026.

Nikolas também foi o candidato a deputado mais votado em Juiz de Fora, onde teve o apoio de 71.869 eleitores, seguido de Ana Pimentel (PT), ex-secretária de Saúde da cidade, com 65.475 votos. Embora a visita de Flávio à cidade, na véspera do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25), tenha sido confirmada pela assessoria da vereadora de Juiz de Fora e deputada estadual eleita Roberta Lopes (PL), os detalhes da agenda do candidato no município ainda não foram divulgados.

Abstenções no primeiro turno entram na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro 

Com a menor diferença de votos entre o primeiro e o segundo colocados em uma eleição presidencial na história do país, a disputa no segundo turno tende a ser ainda mais acirrada, segundo avaliação do cientista político e professor Luiz Ademir de Oliveira. Docente e pesquisador do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGCOM UFJF), ele explica que algumas pesquisas já apontam, inclusive, empate técnico, o que faz com que a busca pelo eleitorado se torne ainda mais estratégica neste momento.

“São principalmente as abstenções, porque os votos que Flávio Bolsonaro e Lula receberam já são votos fiéis. Então, hoje, os dois candidatos estão focados nos eleitores que não compareceram às urnas, o que pode ser o grande diferencial neste segundo turno”, explica o professor.

Em Juiz de Fora, o percentual de eleitores que não compareceram às urnas ou votaram em branco ou nulo ficou abaixo de 30% no primeiro turno. Ao todo, 72.952 eleitores, o equivalente a 18,45% do eleitorado, deixaram de comparecer aos locais de votação. Esse contingente inclui pessoas com 70 anos ou mais e jovens de 16 e 17 anos que possuem título de eleitor, mas para os quais o voto é facultativo. Entre os que compareceram às urnas, 6.610 votaram em branco (2,05%) e outros 10.205 anularam o voto (3,16%).

Para Luiz Ademir, o Sudeste ocupa uma posição estratégica na disputa presidencial. Enquanto Flávio Bolsonaro aparece como favorito em São Paulo e no Rio de Janeiro, Lula busca reduzir a distância em relação ao adversário nesses estados. Em Minas Gerais, considerado um território decisivo por historicamente refletir as tendências do eleitorado nacional, a presença dos candidatos teria uma dimensão sobretudo simbólica.

Mais do que ampliar a votação em cidades específicas, os atos de campanha servem para demonstrar força política, tanto nas ruas quanto nas redes sociais, e influenciar eleitores indecisos ou que não compareceram às urnas no primeiro turno. Segundo o especialista, esse eleitorado, menos identificado com a polarização, tende a ser mais suscetível à percepção de força de uma candidatura. Nesse cenário, conforme apontado por Luiz Ademir, a mobilização em Minas Gerais funcionaria também como uma demonstração de competitividade para o conjunto do eleitorado brasileiro.