Ouça agora

Entre brincadeiras e melodias, bandas de Juiz de Fora valorizam a música infantil

Grupos Abracadabra e Trupicada avaliam cena de música infantil na cidade


Por Beatriz Bath

11/10/2026 às 06h00

Há quem diga que gosto não se discute, mas qualidade, sim. E no caso das músicas infantis, a regra não é diferente. Em Juiz de Fora, projetos como a banda Abracadabra e o grupo Trupicada buscam criar músicas e apresentações que respeitem a individualidade e a imaginação da criança, ao mesmo tempo que estimulam a capacidade de criar.

Nilza James, coordenadora da Abracadabra, trabalha com o público infantil há mais de 20 anos e defende que a música feita para crianças tenha qualidade, ou seja, instigue e ensine. “Nós precisamos acostumar as crianças com músicas boas para que, mais tarde, se tornem um público crítico”, acredita.

juiz de fora música criança
Com sete integrantes, a banda Abracadabra aposta em músicas autorais e releituras que estimulam a criatividade e a participação das crianças e dos pais (Foto: Raphaella Borges de Toledo/Divulgação)

O projeto da Abracadabra nasceu da reunião de um grupo de alunos de Nilza, inicialmente para um trabalho único. “Lembro que falaram comigo para não desfazer o grupo, que tinha uma coisa especial ali.” Atualmente, a banda está em sua terceira formação, com um total de sete integrantes.

Além de criar músicas que incentivem a criatividade, uma preocupação da banda também é engajar os pais. “Queremos que os pais também participem, que queiram trazer seus filhos.”

A Abracadabra possui composições autorais e também realiza releituras de outros artistas. Atualmente, o grupo se prepara para iniciar as gravações de suas músicas em estúdio, buscando aumentar o seu alcance para além da cidade.

Entre o lúdico e a realidade

A Trupicada já alcançou a maioridade e está prestes a completar 20 anos de carreira. Mesmo já adulto, o grupo segue criando músicas, peças de teatro e contações de histórias que respeitem a inteligência da criança. Lívia Soares, responsável pela voz e percussão do grupo, defende que “a criança é um ser humano em formação, mas que também já tem coisas dentro de si”.

juiz de fora música criança
Prestes a completar 20 anos de trajetória, a Trupicada reúne música, teatro e contação de histórias em apresentações que valorizam a imaginação e a inteligência das crianças (Foto: Divulgação)

Para incentivar isso, o grupo busca sempre criar novos projetos, também se aventurando em outros estilos. “A criança é muito exigente”, explica Lívia. Por isso, tudo o que o grupo se propõe a fazer passa por diversas etapas de produção, com atenção aos arranjos e às letras.

Formada por educadores, a Trupicada também possui experiência na musicalização infantil, algo que aparece nos seus espetáculos. Além disso, o grupo também acredita que brincar é coisa séria, e a infância é um direito.

Lívia e Nilza também destacam a importância de a criança observar os instrumentos sendo tocados no palco, para compreender como a música é produzida durante as apresentações. “A gente vai entre a ludicidade e a realidade, sem menosprezo”, destaca Lívia.

Lívia também reforça a importância da presença dos pais nos momentos de apresentação. A lógica, para ela, é simples: se os pais desejam ir ao show, participar e dançar, a criança também deseja. “A criança fica feliz com os pais felizes.”

Dó, ré, mi e outras notas

Entre o uso de telas e outras formas de entretenimento na vida das crianças, algo que seja pensado com cuidado, exclusivamente para elas, se torna ainda mais especial. Porém, Lívia não exclui a possibilidade de convivência da criança com outros gêneros e formatos: tudo é válido, desde que com cuidado e atenção.

A trupe já rodou o país ao longo das suas quase duas décadas de atuação e já teve diversas formações. Mas quem participou uma vez da Trupicada nunca sai, segundo Lívia. Por isso, a banda segue tocando novos projetos com uma equipe que acredita em fazer música de verdade, unindo beleza e qualidade.

E se o grupo passou por todo o Brasil, falta agora um festival de música infantil próprio de Juiz de Fora para as crianças juiz-foranas. Lívia cita o JF: Aprendendo a Crescer, que acontece em novembro, como uma boa iniciativa, mas que parte de produtores que não são juiz-foranos.

“A cena de música infantil precisa se unir mais, tem muita coisa legal acontecendo aqui”, defende. A ideia é sempre agregar, unir bandas e projetos diferentes em prol da infância.

A Abracadabra também segue em busca de novos palcos e novos públicos, procurando agendar apresentações para os próximos meses. “Estamos nos inscrevendo em editais de fomento e treinando o repertório, mas o que nos muda mesmo como banda são as apresentações.”

Ambas as bandas realizam shows temáticos, como de Natal, festa junina e carnaval, buscando integrar diferentes momentos do ano da criança com diversão, música e aprendizado.

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy