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Eleições e o juízo crítico

“Certamente que o voto é livre, mas nem sempre a nossa liberdade é exercida de maneira plena e consciente quando nos deixamos levar por impulsos”


Por Luís Eugênio Sanábio e Souza *

24/09/2026 às 06h00

O desejo do eleitor de melhorar a política é algo natural e positivo.  Contudo, tal desejo, em si legítimo, pode esconder o perigo de elegermos maus elementos políticos em nome das reformas que desejamos.  Conheci muitas pessoas de boa índole que, em outras eleições, se arrependeram do chamado “voto de protesto”  que consiste em votar em qualquer opositor com a intenção de protestar contra o governo vigente. Trata-se de um fenômeno perigoso que precisa ser refletido, porque nem sempre a oposição que nos é oferecida pelo cenário político é qualificada e confiável do ponto de vista moral e histórico.

Vale lembrar que muitos oportunistas e ditadores sobem ao poder a partir da insatisfação do povo com o governo, mas isso não representa um bem e sim um grande mal.  Neste sentido, não basta estarmos insatisfeitos com a política para daí votarmos em qualquer um, na esperança de encontrarmos um futuro melhor.

Certamente que o voto é livre, mas nem sempre a nossa liberdade é exercida de maneira plena e consciente quando nos deixamos levar por impulsos, por ódios políticos, por julgamentos excessivamente severos e pelas manipulações políticas tantas vezes imperceptíveis para os mais apaixonados.  Assim, é preciso evitar que as paixões políticas limitem nosso juízo crítico.

O fim não justifica os meios,  ou seja,  não é benéfico e nem oportuno votarmos em maus elementos com a intenção de reformar a política.

Neste caso, trata-se de uma ilusão perigosa, como atesta a história nacional e internacional. Consequentemente nenhum mal, mesmo realizado com boa intenção, pode ser justificado.

Como adverte a Bíblia, “Aqueles que dizem:  façamos o mal, para vir o bem.  Desses, é justa a condenação”  (Romanos 3, 8).

* Luís Eugênio Sanábio e Souza é escritor.

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