Hospitais em Juiz de Fora ampliam cirurgias pelo SUS, afirma ministro da Saúde
Em visita a cidade, ministro Alexandre Padilha destacou adesão de três unidades ao programa “Agora Tem Especialistas”

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cumpriu agenda em Juiz de Fora nesta sexta-feira (18). Ele visitou o Hospital Evandro Ribeiro, a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital IBG. As três unidades de saúde já aderiram ao programa “Agora Tem Especialistas”, iniciativa para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS). Por meio dela, um hospital filantrópico ou privado pode reduzir o pagamento de impostos em troca de cirurgias.
De acordo com o chefe da pasta, o programa levou ao recorde de cirurgias na história do SUS: quase 15 milhões em 2025 em todo o país. O número representa um aumento de 42% em relação aos dados de 2022.
“No ano de 2026, vamos superar o próprio recorde. Nos primeiros seis meses, chegou a quase 10% de aumento. Se mantivermos o ritmo, significa chegar a mais de 16 milhões de cirurgias esse ano pelo SUS”, pontuou em entrevista.
Os três hospitais visitados na agenda ajudam com os dados, segundo Padilha, cada um com a sua característica.
“A Santa Casa é um dos campeões nacionais de transplante de rim. Temos muito orgulho de ter batido o recorde mundial em sistemas públicos de transplantes renais. Mais da metade dos transplantes feitos pelo SUS no Brasil desse tipo”, celebrou o ministro.
Padilha contou que também foi feita uma nova tabela SUS, pelo “Agora Tem Especialistas”, para as doenças renais crônicas, tanto procedimentos cirúrgicos quanto o cuidado na diálise. De acordo com ele, isso vai significar mais recursos para a Santa Casa, que “tem um serviço de urologia e de cuidado do rim muito importante não só para Minas Gerais, mas para todo o Brasil”.
A agenda na unidade também incluiu uma visita à cirurgia robótica ortopédica, que passou a ser incorporada no SUS.
“A gente já fez a portaria do ‘Agora Tem Especialistas’ para a cirurgia robótica de próstata. Agora estamos acompanhando o desenvolvimento da ortopédica em alguns serviços no Brasil. Um deles vai ser o da Santa Casa de Juiz de Fora. Com isso, vamos acompanhar como é o procedimento, qual é o custo dele, para também ter uma tabela permanente pelo programa”, relembrou.
“O que a gente observa é que (a cirurgia robótica ortopédica) é muito boa, tem menos lesão e é mais precisa. O paciente vai embora para casa mais rápido e é boa também para o hospital, pois reduz o tempo de internação. Tudo isso interessa para o SUS, oferecer para a nossa população que tem de mais tecnológico”, explicou.
Antes da Santa Casa, Padilha visitou o Hospital Evandro Ribeiro, o qual afirmou ser um dos campeões de Minas Gerais em procedimento para problemas de audição.
“A unidade cresceu muito no número de cirurgias, tanto de audição como de visão a partir do programa”, destacou. Por fim, fechou com visita ao IBG, que, segundo ele, oferta mais de 500 cirurgias a mais através do ”Agora Tem Especialistas” e ganhou investimento de conjunto completo de centro cirúrgico, equipamentos modernos e ressonância magnética nuclear.
Ao todo, juntando os três hospitais, o programa contempla, segundo Padilha, mais de R$ 10 milhões em investimentos em novos equipamentos ou recursos adicionais para fazer mais cirurgias.
“Fiquei feliz de ouvir que o Evandro Ribeiro zerou a fila de implante coclear e a de cirurgia de catarata, além do aumento no volume de transplantes renais aqui na Santa Casa. Vamos avançando cada vez mais, mas tem muito trabalho a ser feito”, confirmou.
Canetas emagrecedoras
Medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, serão oferecidos pelo Sistema Único de Saúde para pacientes com obesidade. Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição será baseada em estudos e na definição de um protocolo clínico para orientar o uso dos medicamentos na rede pública.
O ministro também comentou sobre a questão, ressaltando que “não é uma coisa de ontem”.
“O Ministério da Saúde vem planejando, apresentando cada passo desde o ano passado, quando a Organização Mundial de Saúde considerou que esse tipo de medicamento deve compor a oferta integral de enfrentamento à obesidade. Convocamos empresas junto com a Anvisa, para que haja mais diversidade na produção e, assim, derrubar o preço para a população”, argumentou.
Padilha citou que já são 16 registros feitos pela Anvisa, o que levou à redução em 70% do preço do medicamento.
“Paralelo a isso, começamos já a incorporação dele no SUS, no Grupo Hospitalar Conceição, para detalhar quais são os pacientes em que a utilização geraria um impacto positivo em reduzir necessidade de cirurgia e de internação, bem como o risco cardíaco. Os pacientes estão recebendo e estamos acompanhando isso, que vai trazer a informação necessária para estabelecermos qual vai ser o protocolo”, explicou, deixando claro que as canetas não devem ser vistas como milagre estético.
Tópicos: alexandre padilha / Ministério da Saúde








