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O calor que reescreve a história

De acordo com o Observatório Climático Copernicus, agosto foi o mês mais quente da história


Por Paulo Cesar Magella

11/09/2026 às 16h03

O Observatório Climático Copernicus, por meio de seu mais recente boletim, anunciou nesta quinta-feira que agosto foi o mês mais quente já registrado, com temperaturas que a Terra provavelmente não via há pelo menos 100 mil anos. Embora as séries históricas instrumentais remontem apenas aos anos 1940, evidências como núcleos de gelo, anéis de árvores e esqueletos de corais permitem que os cientistas estudem o clima em diferentes momentos da história. “Os humanos provavelmente não viam temperaturas tão altas quanto essas há pelo menos 100 mil anos”, detalhou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que opera o Copernicus, à Agência France-Presse (AFP).
O novo boletim cita ainda que as temperaturas oceânicas atingiram níveis sem precedentes pelo terceiro mês consecutivo. No último mês, as temperaturas médias do ar atingiram 16,96°C, superando o recorde mensal absoluto anterior – estabelecido em julho de 2023 – em 0,01°C.
O significado destes números está no próprio ciclo climático que marca o segundo semestre de 2026, período que antecede a versão mais crítica do El Niño, previsto para começar em outubro, embora já dê claros sinais de sua incidência. Na costa da Califórnia – estado americano às margens do Oceano Pacífico – as ondas afetaram duramente a região de Malibu. A casa do ator Nicolas Cage ficou à beira de uma cratera aberta pelo avanço das águas do mar.
No caso brasileiro, a despeito de todas as atenções estarem justificadamente voltadas para a crise no Supremo Tribunal Federal, o debate ambiental não pode ser tirado da agenda, sobretudo dos candidatos à presidência da República e aos governos estaduais, que pouco têm falado sobre o tema.
A instabilidade climática tem impacto direto nas comunidades, no ecossistema e nas economias. Ficar alheio ao que está em curso é uma grave omissão, sobretudo por ser evidente a necessidade de ações preventivas para o que virá pela frente.
O Sul e o Sudeste do Brasil fecham a semana sob impacto de chuvas intensas, ventos fortes e formação de tornados, especialmente no Paraná. No Centro-Oeste, a umidade relativa do ar está abaixo dos limites definidos pela Organização Mundial da Saúde. Ao fim e ao cabo, há uma clara desordem climática que deve ser pauta permanente dos governos e da população.
Em Juiz de Fora, cidade afetada pelos temporais de fevereiro, que resultaram na morte de 66 pessoas e no desalojamento de milhares de moradores, os projetos de recuperação estão em curso, mas todos os setores devem ficar atentos para o futuro.
Como bem destacou a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em nota assinada por sua vice-presidente e presidente da Regional Zona da Mata, Mariângela Marcon, “a região precisa transformar a crise em uma oportunidade para aumentar sua capacidade de prevenção, fortalecer sua infraestrutura e criar condições para que a indústria volte a crescer de maneira sustentável.”
É, pois, uma missão de todos.