Eleições 2026: Saúde, chuvas e indústria entram nas propostas dos candidatos ao Governo de Minas Gerais para Juiz de Fora; confira
Nove dos 11 candidatos responderam à Tribuna de Minas sobre prioridades para a região, com propostas em áreas como saúde, prevenção a desastres, infraestrutura e desenvolvimento econômico
A menos de um mês do primeiro turno das eleições gerais de 2026, o Voto e Cidadania volta a colocar Juiz de Fora e a Zona da Mata no centro da disputa pelo Governo de Minas. Depois de ouvir moradores e representantes de diferentes setores sobre o que esperam da próxima gestão estadual, a Tribuna de Minas levou essas cobranças aos candidatos e pediu que apresentassem compromissos concretos para a cidade e a região.
As respostas mostram propostas em áreas que aparecem de forma recorrente nas demandas locais. Entre elas estão prevenção a desastres climáticos, saúde, infraestrutura, habitação, segurança pública, educação, geração de emprego e desenvolvimento econômico. Também surgem medidas voltadas à retomada da atividade industrial, à ampliação da capacidade regional de atendimento e à criação de mecanismos de integração entre o Estado e os municípios da Zona da Mata.
Juiz de Fora aparece nesse debate como principal polo urbano de uma região com cerca de 2,3 milhões de moradores. Pela concentração de serviços, hospitais, universidades, empresas e equipamentos públicos, parte das propostas apresentadas pelos candidatos extrapola os limites do município e trata de soluções pensadas para toda a Zona da Mata.
Dos 11 candidatos ao Governo de Minas, nove responderam dentro do prazo estipulado pela reportagem. Ben Mendes (Missão) e Indira Xavier (UP) não encaminharam resposta até o fechamento desta edição.
As respostas são publicadas conforme encaminhadas pelas assessorias, sem edição de conteúdo pela Tribuna.
A ordem de apresentação dos candidatos, tanto na imagem quanto nesta reportagem, segue o critério alfabético. Confira as respostas:
Alexandre Kalil (PDT)

“Juiz de Fora será prioridade em três frentes. A primeira é um pacto de reconstrução e prevenção: apoiar o município na contenção de encostas, drenagem, mapeamento de riscos, alertas e planos de contingência, além de garantir moradia e atendimento integrado às famílias atingidas.
A segunda é fortalecer a cidade como polo regional de saúde: resolver definitivamente o Hospital Regional, definir seu custeio e colocá-lo em funcionamento, integrado ao HPS, à atenção especializada, ao SAMU e à rede dos 94 municípios da macrorregião.
A terceira é gerar desenvolvimento com infraestrutura e conhecimento: organizar uma carteira regional de obras, incluindo recuperação de vias e rodovias e melhor acesso ao Aeroporto da Zona da Mata; revitalizar áreas produtivas; e conectar universidades, escolas técnicas e empresas para atrair investimentos, qualificar jovens e criar empregos. A execução será feita com Prefeitura, União, consórcios e sociedade, com metas, prazos e acompanhamento público.”
Ben Mendes (Missão)

Não enviou resposta até o fechamento desta edição.
Cleitinho Azevedo (Republicanos)

“Se eu tiver a oportunidade de governar Minas, três prioridades serão inegociáveis para Juiz de Fora.
A primeira será a prevenção às tragédias provocadas pelas chuvas. Vamos trabalhar em parceria com a Prefeitura no mapeamento de áreas de risco, em obras de contenção e drenagem e na ampliação dos sistemas de monitoramento e alerta. Não podemos esperar a água subir para depois agir.
A segunda será a saúde. Juiz de Fora é referência para toda a Zona da Mata e precisa de uma estrutura compatível. Vamos fortalecer o financiamento estadual e trabalhar pela ampliação do atendimento do Hospital Regional João Penido, inclusive buscando a retomada de sua porta de urgência.
A terceira será cuidar de quem mais precisa, apoiando a habitação, a regularização fundiária, a assistência social e a qualificação profissional para gerar emprego e renda. Meu compromisso é ter um Governo de Minas presente, trabalhando junto com Juiz de Fora e entregando resultados.”
Flávio Roscoe (PL)

“Juiz de Fora terá três compromissos centrais no meu governo. O primeiro é prevenção a desastres e infraestrutura urbana. O Cemaden vem apontando reiteradamente risco de deslizamentos, enxurradas e alagamentos na região. Vamos apoiar o município em obras de drenagem, contenção e saneamento, mapear e monitorar áreas de risco e integrar Estado, Prefeitura e Defesa Civil para agir antes da tragédia.
O segundo é saúde. Juiz de Fora é referência para toda a Zona da Mata e precisa de uma rede regional forte. Vamos ampliar a capacidade de média e alta complexidade, integrar prontuários, fortalecer a atenção básica e tornar pública a fila de cirurgias.
O terceiro é desenvolvimento com oportunidade. Vamos qualificar a infraestrutura, ampliar o ensino técnico ligado às vocações locais e melhorar o ambiente para atrair empresas e empregos. Habitação e políticas sociais estarão integradas a essas ações, com urbanização, regularização fundiária e serviços públicos mais próximos das famílias.”
Gabriel Azevedo (MDB)

“Meu primeiro compromisso é prevenir desastres: implantar o programa Zona da Mata Esponja, com áreas permeáveis, bacias de retenção e parques lineares para reter a água da chuva, além de alertas e obras em encostas. O Estado apoiará a Prefeitura com assistência técnica e recursos, planejando por bacia hidrográfica.
O segundo é unir desenvolvimento e infraestrutura: estruturar com a União o trem de Juiz de Fora ao Rio de Janeiro, via Matias Barbosa e Três Rios; manter rodovias com contratos por desempenho; melhorar a aprendizagem e valorizar professores; aproximar empresas e UFJF, com apoio da Fapemig, para transformar conhecimento em empregos e produtos de maior valor.
O terceiro é reduzir as filas da saúde: fortalecer a rede regional, com consórcios, forças-tarefa por especialidade e regulação transparente. Juiz de Fora não pode arcar sozinha com o atendimento regional. Um Governo Regional, sem novos cargos, coordenará essas entregas, com metas públicas e orçamento definido.”
Henrique Áreas (PCO)

“Em primeiro lugar, é preciso interromper imediatamente o pagamento da Dívida Pública, que envia mais da metade da riqueza do Estado para juros pagos aos banqueiros e especuladores. Nesse sentido, sem tocar nesse ponto, as promessas de melhorias em quaisquer pontos são apenas promessas vazias. É isso o que impede o investimento em infraestrutura, o que acabou resultando nos desastres, em saúde e educação para todos.
Um eventual governo do PCO iria chamar o povo a pressionar para o não pagamento dessa dívida e dar toda a voz para as organizações das comunidades que são quem realmente sabem os problemas das cidades.
Certamente, é preciso investir em empregos por meio de obras públicas e da reestatização do que foi privatizado e da estatização de empresas que estão fechando as portas, isso é um impulso enorme ao desenvolvimento econômico e social da região e de todo o estado. Sobre a moradia, é preciso desapropriar os imóveis que estão vazios e impulsionar os movimentos por moradias.”
Indira Xavier (UP)

Não enviou resposta até o fechamento desta edição.
Mateus Simões (PSD)

“Um dos principais compromissos é com prevenção a desastres. Nós temos duas situações diferentes na Zona da Mata: uma é a de inundações, como em Ubá, onde a saída é reflorestar as margens dos rios. Já temos recursos provenientes do novo acordo do Rio Doce. A outra são as encostas e as moradias nas áreas de risco, como ocorre em Juiz de Fora. Neste caso, vamos ampliar o programa habitacional por meio de parceria público privada para retirar as famílias que vivem nestas regiões e possibilitar um recomeço com dignidade.
O segundo compromisso é no combate ao crime organizado e o terceiro na proteção à mulher vítima de violência. Como Juiz de Fora faz divisa com o Rio, vamos criar o Escudo Mineiro, serviço de vigilância com reconhecimento facial, capaz de identificar e contribuir para a prisão de suspeitos de envolvimento com o crime organizado.
Já no combate à violência contra a mulher, meu compromisso é contratar policiais civis para que a cidade tenha atendimento especializado 24 horas por dia.”
Patrus Ananias (PT)

“Nosso governo terá três pilares para a região: saúde, educação e prevenção a desastres ambientais. Pretendemos consolidar as Redes de Atenção à Saúde de forma regionalizada para reduzir filas, com monitoramento rigoroso, a partir de um Sistema Estadual de Informação, e investir nos hospitais Regional e Universitário, em Juiz de Fora.
Na área da Educação, vamos reforçar a cooperação com os municípios, ampliando as matrículas em tempo integral, valorizar os professores, fortalecer a educação de jovens e adultos, erradicando o analfabetismo, integrar o ensino médio à formação técnico-profissional e criar uma articulação entre todas as instituições públicas de educação superior (UFJF, IFES, UEMG) para contribuir com o desenvolvimento social e econômico do Estado.
Para evitar danos como os ocorridos com as chuvas do início do ano, vamos fortalecer e integrar as instituições públicas, ampliando a capacidade técnica, operacional e financeira para prevenção, monitoramento e resposta rápida, com protocolos integrados de atuação.”
Rafael Duda (PSTU)

“Juiz de Fora, assim como toda cidade de médio porte, sofre as consequências de um processo de desindustrialização relativa no país e no estado como resultado da subordinação da burguesia industrial e dos governos aos países imperialistas, como EUA e China, que relegam ao Brasil a condição de exportador de commodities.
A cidade já foi chamada de Manchester Mineira, porém nessa nova ordem mundial sua principal função econômica é a prestação de serviços e comércio, setores que geram empregos de baixa rentabilidade e baixa arrecadação ao município. Em Minas não é diferente, o setor de mineração e agronegócio são os carros chefes da economia pagando pouquíssimos impostos e enviando toda riqueza para o exterior. Nessa condição o investimento nas áreas sociais como educação, saúde, moradia e prevenção de desastres não são suficientes para atender as necessidades da população.
É necessário reestatizar as empresas privatizadas como a Vale, Copasa, Usiminas e tornar a Cemig e Codemig 100% públicas, taxar fortemente as mineradoras, impedir remessas de lucros ao exterior e por fim à isenções fiscais para as grandes empresas. Assim será possível utilizar o excedentes da produção e a arrecadação para reindustrializar o estado e a cidade gerando melhores empregos, renda e maior arrecadação para investir nas áreas sociais.”
Túlio Lopes (PCB)

“Para o povo trabalhador de Juiz de Fora, da Zona da Mata e de todo o estado de Minas Gerais, vamos atuar firme no fortalecimento dos serviços públicos. Criaremos um Plano de Ação Regional para prevenir tragédias climáticas, recompondo o orçamento da área, fazendo parcerias de pesquisa e criando um grupo de trabalho para mapear riscos, conter encostas e recuperar matas ciliares.
Estruturaremos e ampliaremos as unidades da UEMG em Carangola, Ubá, Leopoldina, Barbacena e Cataguases, garantindo campus próprio, restaurante, moradia e creche. Asseguraremos educação integral e politécnica, além de parques tecnológicos para retomar a força industrial de Juiz de Fora.
Fortaleceremos a saúde regional ampliando o IPSEMG e o Hospital Regional Dr. João Penido (FHEMIG). Investiremos na Polícia Civil e no Corpo de Bombeiros com valorização e formação humana dos servidores.
Reativaremos a COHAB para zerar o déficit habitacional. Defendemos a construção de um Governo do Poder Popular e dos Trabalhadores.”
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