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Atleta mirim de Muriaé é convocada para compor a primeira Seleção Brasileira de Capoeira

Débora Vitória busca apoio para participar de competição internacional


Por Beatriz Bath

10/09/2026 às 06h15

Conhecida como a ‘Amazonas’ da capoeira de Muriaé, município da Zona da Mata mineira distante cerca de 160 quilômetros de Juiz de Fora, Débora Vitória da Silva Messias, de 12 anos, acaba de ser convocada para compor a Seleção Brasileira de Capoeira. A atleta mirim já conquistou o título de campeã mundial e agora se prepara para representar o país no Campeonato Pan-Americano de Capoeira Competitiva, que será realizado em Lima, no Peru.

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Atleta busca representar Minas Gerais no Pan-Americano (Foto: Divulgação)

A primeira vez que Débora pegou em uma corda de capoeira foi aos dois anos de idade, por influência do seu pai Wellington José Messias, conhecido como mestre Bulinho. Desde então, a menina demonstrou entusiasmo com o esporte e se tornou atleta competitiva há cerca de três anos.

A capoeira está no cotidiano da família. Além das competições, Bulinho também leciona capoeira em um programa facilitado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Nutricional e Habitação de Interesse Social. A família também integra o Projeto Arte Capoeira, do qual Bulinho é responsável e onde Débora pratica, e o grupo Sinhá Bahia de Capoeira.

Promessa da capoeira nacional, Débora participou do Volta ao Mundo Bambas, evento internacional que tem como objetivo promover a luta em um formato competitivo. A capoeirista já recebeu os títulos de campeã mundial na categoria infantil (para crianças de 9 a 11 anos) no campeonato do evento realizado em Brasília.

De Muriaé para o mundo

Recentemente, Débora recebeu a convocação oficial para integrar a primeira Seleção Brasileira de Capoeira pela World Capoeira e pela Confederação de Capoeira do Brasil. A primeira competição da atleta é o Campeonato Pan-Americano de Capoeira Competitiva, em Lima, Peru, de 11 a 13 de dezembro de 2026.

“Eu cheguei um dia e disse, filha: tenho duas notícias para você, uma boa e uma ruim. Qual você quer primeiro?” conta o pai. Débora escolheu a ruim, que seu contrato com a Volta ao Mundo Bambas estava no final e, com surpresa, recebeu a notícia de sua convocação.

Porém, antes de a atleta embarcar, há alguns desafios para sua ida. A família iniciou uma vaquinha online para custear a viagem, já que o custeio da organização do evento não cobre passagens e acomodação.

Devido ao vínculo de Bulinho com a Prefeitura de Muriaé, também não é possível solicitar o bolsa-atleta, iniciativa municipal que já custeou Débora em competições anteriores. Além do obstáculo financeiro, Bulinho destaca que a capoeira ainda não é vista como um esporte, o que dificulta a obtenção de patrocínios.

“A capoeira tem cultura e história, mas também é esporte e esse movimento ainda está no início. A Vitória é uma atleta que, como em outros esportes, também precisa de todo um aparato como nutricionista, fisioterapeuta e outros”.

O mestre de capoeira reforça ainda que a luta tem um papel social importante e que deve continuar sendo ofertada de maneira gratuita, mas ressalta que o esporte ainda não recebe o apoio necessário.

A ‘Amazonas’ recebe apoio da família, em especial do pai, que atua como seu contramestre e treinador, cuidando de sua alimentação, estudos, tempo de tela e outros cuidados.

Sobre a pressão que a menina sofre, Bulinho admite que ela existe, mas que cuida para que isso seja trabalhado com ela desde cedo. Por enquanto, Débora não possui acompanhamento psicológico especializado para atletas, algo que Bulinho reconhece como necessário.

Sobre ser inspiração

Para o pai, Débora é uma criança tranquila, que apesar da pressão de eventos e competições, ainda é uma criança normal. “Eu falo com ela que é inspiração para outras crianças e pergunto o que ela quer fazer com essa inspiração”, conta.

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Débora também venceu o Campeonato Meteoro Sports em São Fidelis (RJ), sua competição mais recente (Foto: Divulgação)

Bulinho explica que o fato de Débora ser uma atleta mirim de destaque não a faz soberba. Pelo contrário, seu pai busca ser seu mestre também além do esporte, ensinando-a a valorizar o apoio que recebe, ter orgulho de onde está e entender que outras crianças e capoeiristas se inspiram nela.

Além de ser uma atleta de um esporte que ainda não é visto como uma luta e que, portanto, precisa de infraestrutura para seguir existindo, Débora também representa milhares de meninas que integram a capoeira e, no passado, não tiveram a chance de competir.

*Estagiária sob a supervisão do editor Bruno Kaehler