ACIMA DO TOM
O segundo debate entre os candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves, no SBT, na última quinta-feira, revelou que a campanha ingressou no perigoso campo da baixaria, deixando de lado propostas para um futuro mandato ou um projeto de país. É certo que as pesquisas insuflam essa polarização, que vai para as ruas mobilizando a militância e até mesmo incentivando a intolerância. Mas é para isso que servem os debates? Certamente, não, uma vez que a meta seria discutir projetos, e não ingressar no campo pessoal, como se fosse esse componente fundamental para presidir um país. Se há mazelas, caberia, sim, à Justiça Eleitoral colocá-las como impedimento para candidaturas.
O resultado desse tipo de enfrentamento será sentido não apenas nesta reta final de campanha, mas também na própria postura do futuro Congresso Nacional. Dilma ou Aécio, seja quem for o vencedor das eleições, irá encontrar um Parlamento dividido e com ânimos voltados para o confronto. E mais, com um PMDB – pêndulo das votações – disposto a ter um papel mais assertivo na próxima legislatura. Não é de graça a estratégia de ganhar governos estaduais em detrimento de um projeto nacional.
Ainda faltam dois debates, exatamente nas emissoras de maior audiência, o que indica nuvens e trovoadas para a campanha eleitoral. A semana será pródiga em denúncias e até mesmo em baixarias, que chegarão, certamente, ao horário eleitoral. Resta aos atores controlar o nível, a fim de evitar a divisão de um país às vésperas de sua mais importante eleição. Ninguém ganharia com isso.











