A disputa no Republicanos expõe o jogo real do poder em Minas
Indefinições, trocas de lado e cálculos por bancadas revelam que a eleição mineira virou o epicentro das estratégias nacionais
As convenções partidárias estão na sua reta final, mas ainda há cenários indefinidos, especialmente em Minas Gerais, onde a queda de braço entre o senador Cleitinho Azevedo e a direção do seu partido, o Republicanos, é inédita. O episódio revela um candidato líder das pesquisas inicialmente relutante e um partido, com chances reais de chegar ao Governo, desistindo da candidatura para apostar em um novo projeto.
Fica evidente que o Republicanos, assim como os demais partidos, investe prioritariamente na disputa para a Câmara Federal, por ser ela a referência para a liberação de recursos do Fundo Partidário e das emendas parlamentares. Legendas com grande representação não necessitam, necessariamente, ocupar o Executivo.
Os partidos fazem contas e avaliam o número de cadeiras que vão ocupar. Só a partir daí migram sua atenção para os governos estaduais e para a Presidência da República. A federação União/Progressistas pretende ficar neutra na disputa pelo Planalto por mera estratégia: tem como meta eleger 116 deputados, o que lhe daria maioria na Câmara Federal.
Com tamanha relevância, ser chamada a participar do Governo é consequência natural. Essa é a lógica do Centrão, que desde a gestão Fernando Henrique, a partir de 1994, ocupa cargos no poder sem se preocupar com o viés ideológico.
Sem poder mudar de partido para disputar o Governo e sob veto da própria legenda, o senador Cleitinho Azevedo terá que se submeter às regras do jogo, em parte por conta de sua própria insegurança. É fato que a morte de seu irmão caçula adiou sua decisão, mas desde as primeiras pesquisas – nas quais já liderava a intenção de voto – sua relutância comprometeu articulações. A nota assinada pela direção do Republicanos de Minas é enfática ao afirmar que o partido foi obrigado a postergar alianças por causa da indecisão do senador.
O registro das candidaturas vence no dia 15 de agosto, mas as convenções podem ocorrer até o dia 5, o que, em tese, dá tempo para uma reorganização. A questão é saber quais interesses estão agora em jogo. Ontem, o ex-secretário de Governo de Romeu Zema e pré-candidato ao Senado, Marcelo Aro, comunicou ao governador Mateus Simões – fiador de sua candidatura – que está mudando de trincheira. Sob o patrocínio de PP/União, Podemos e Republicanos, pretende disputar o Governo. Nesse pacote pode entrar também o PL, por enquanto sem nome para falar aos mineiros em nome de Flávio Bolsonaro.









