Da recuperação da saúde ao título: Maju Martins conta trajetória e celebra ouro da 1ª maratona de Juiz de Fora
Atleta de 24 anos, moradora do Centro de JF, foi a convidada do programa Dá Jogo, transmitido ao vivo no YouTube da Tribuna de Minas
A juiz-forana Maria Júlia Martins, mais conhecida como Maju, foi a convidada do programa Dá Jogo, transmitido ao vivo no YouTube da Tribuna de Minas nesta quarta-feira (29). Na entrevista, a atleta contou sobre sua história na corrida, de papel fundamental na recuperação de sua saúde após o ganho de 15 quilos na pandemia, além de ter relatado a rotina de treinos conciliada com trabalho e faculdade, os desafios da preparação para provas de longa distância, a importância da equipe multidisciplinar e da família, além de analisar o crescimento da corrida de rua na cidade, a necessidade de mais apoio aos atletas e os planos para a sequência da carreira. Também comentou sobre a Maratona da Camilo dos Santos, a qual se sagrou campeã.
Confira a entrevista na íntegra:
Tribuna de Minas: Fala um pouco da sua história. De que bairro você é? É de Juiz de Fora? Como conheceu a corrida?
Maju: Eu nasci aqui em Juiz de Fora mesmo, moro no Centro. Minha relação com a corrida foi bem repentina. Depois da pandemia, eu ganhei cerca de 15 quilos e comecei caminhando, bem devagar. A corrida acabou sendo uma forma de recuperar minha saúde física e mental. Foi uma luz no fim do túnel. Todo mundo começa aos poucos. Hoje, as pessoas me veem correndo maratona, mas comecei caminhando e depois fazendo provas curtas.
E para virar maratonista é um caminho muito diferente de correr 5 km. Quando você começou, já imaginava disputar uma maratona?
Para ser sincera, não. A maratona nunca foi meu sonho. Em 2023, eu fazia provas e nem sabia direito o que era uma maratona. Em 2024, fiz minha primeira meia maratona aqui em Juiz de Fora e, depois de terminar em segundo lugar, pensei que era hora de buscar um desafio maior. Minha estreia na maratona foi no Rio, em junho deste ano, e consegui ser campeã da categoria e ficar entre as 50 melhores mulheres da prova. Foi algo que nem eu esperava.
Você é muito nova, tem 24 anos. O que te motiva hoje? É essa busca constante por evolução?
Sem dúvida. Antes de competir com os outros, a gente compete com a gente mesmo. A corrida exige disciplina em tudo: treino, alimentação, rotina, trabalho, faculdade. Quando você entra na performance, precisa abrir mão de muita coisa. É um desafio diário.
Você citou trabalho e faculdade. Como é sua rotina?
Eu treino de quatro a cinco vezes por semana. Muitas vezes acordo às 4h para correr antes do trabalho, que começa às 7h30. À noite faço faculdade. Quando não corro, encaixo a musculação antes das aulas. É uma rotina bem corrida, mas dá certo. Trabalho na Camilo dos Santos, que também é minha patrocinadora, e faço Educação Física na Estácio.
No alto rendimento também é importante ter uma equipe por trás, como treinador e nutricionista, não é?
Com certeza. Principalmente para quem está começando, é importante procurar orientação para evitar lesões. Hoje, por trás da Maju atleta, existe toda uma equipe. Tenho meu treinador, Bruno Monteiro, e meu nutricionista, Rod Rosa. Tem muita gente fazendo esse trabalho acontecer.
E como funciona sua alimentação?
Depende da fase. Durante a preparação para uma maratona eu como muito mais. Depois diminuímos a quantidade para manutenção. Quase sempre como as mesmas coisas, porque facilita a rotina. Faço marmitas e deixo tudo organizado.
Sobre a Maratona Camilo dos Santos, a primeira de Juiz de Fora, como foi disputar essa prova?
Achei que a organização acertou ao largar às 5h. Assim evitamos o calor e também minimizamos o impacto no trânsito. O percurso foi muito bonito e desafiador. Passamos por vários pontos da cidade e, apesar das dificuldades do asfalto em alguns trechos, foi muito bem planejado. Para mim o trecho mais difícil foi dentro do Colégio Militar. Tinha terra e grama, então era preciso reduzir o ritmo para evitar torções. Foi a parte mais técnica do percurso.

Como foi sua estratégia durante a prova?
Foi diferente da maratona do Rio. Meu treinador e eu decidimos largar mais controlada. Passei a liderar na altura do quilômetro 21 e, dali em diante, consegui abrir vantagem. Terminei com oito minutos de diferença para a segunda colocada.
Mesmo liderando metade da prova, como foi manter a concentração?
Foi preciso manter a calma. Em uma maratona tudo pode mudar. Procurei sustentar um ritmo confortável até o fim.
Hoje a tecnologia também faz diferença, principalmente nos tênis?
Faz muita diferença. Quando experimentei um tênis com placa senti uma mudança enorme. O retorno de energia é muito melhor. Mas não basta comprar qualquer modelo. É preciso testar, porque cada corpo responde de um jeito.
Como é o apoio da sua família?
Minha família é meu combustível. Minha mãe não corre, mas está em todas as provas, torcendo e fazendo festa. Tenho muitos amigos que acompanham também. Esse apoio faz muita diferença.
Você tem alguma referência no esporte?
Sem dúvida a Amanda Oliveira é uma referência para todas nós. Ela construiu uma trajetória linda e inspira muita gente aqui em Juiz de Fora.
Quais são seus planos para o restante do ano?
Outra maratona este ano não. Agora quero focar em uma meia maratona e tentar melhorar meu tempo. Também quero disputar algumas provas do ranking da cidade.
A meia maratona é minha distância do coração. Gosto muito mais de correr uma meia do que uma prova de 5 km.
Como você avalia o crescimento da corrida em Juiz de Fora?
Cresceu muito. Tanto no feminino quanto no masculino. As mulheres estão muito fortes e cada prova revela atletas novas. O nível está aumentando bastante.
Juiz de Fora ainda precisa evoluir no apoio aos atletas. Para quem busca performance, o maior gasto hoje é com suplementação. Qualquer apoio nessa área faz muita diferença.
E o calendário de provas? O que pode melhorar?
Acho que as inscrições ficaram muito caras em relação ao que é entregue. Também seria interessante variar mais os percursos e criar provas voltadas para iniciantes, incentivando quem está começando.
Para encerrar, que mensagem você deixa para quem acompanha sua trajetória e para quem pensa em começar a correr?
Quero agradecer todo o carinho que recebo nas provas. Faz muita diferença. E convido quem ainda não corre a experimentar. Não precisa pensar em maratona. Comece com dois ou três quilômetros. A corrida transforma a saúde física, mental e social. Ela realmente muda a vida.
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Tópicos: corrida de rua / maratona / maria júlia martins









