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Maior congresso sobre água da América Latina começa em Juiz de Fora e reforça papel da ciência na prevenção de desastres

Evento reúne especialistas de diversos países na UFJF e debate soluções para a gestão da água e os impactos das mudanças climáticas 


Por Nayara Zanetti

21/07/2026 às 13h58- Atualizada 21/07/2026 às 14h23

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Evento acontece até sexta-feira (24) com atividades gratuitas e abertas ao público. (Foto: Leonardo Costa)

Especialistas de diferentes regiões do Brasil e do exterior se reúnem na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para discutir um dos principais desafios da atualidade: como gerir os recursos hídricos diante das mudanças climáticas e da intensificação dos eventos extremos. O Congresso Brasileiro de Limnologia teve início nesta terça-feira (21) na Praça Cívica da UFJF, com atividades gratuitas voltadas para todo o público. O credenciamento pode ser feito no local.  

O encontro reúne pesquisadores, estudantes, gestores públicos e profissionais da área ambiental do Brasil e do exterior para apresentar pesquisas, compartilhar experiências e debater estratégias voltadas à conservação da água e à prevenção de desastres ambientais. 

Para o vice-reitor da UFJF, Telmo Mota Ronzani, receber um evento desse porte representa uma oportunidade de aproximar a universidade da sociedade em torno de um tema cada vez mais urgente. “É uma honra receber esse evento, primeiro pela temática, que é um dos grandes desafios do mundo hoje: como manejamos as águas e a questão ambiental. Além de reunir especialistas do Brasil e do mundo, o congresso dialoga com a sociedade, e isso é muito importante.” 

Segundo ele, a escolha de Juiz de Fora ganha um significado ainda maior após os impactos provocados pelas chuvas intensas registradas em fevereiro deste ano. “Esse evento traz visibilidade para a cidade e pode contribuir com discussões, pesquisas e trocas sobre como lidamos com os nossos cursos d’água. Os especialistas vão apresentar soluções, caminhos e perspectivas concretas para a vida da cidade e da sociedade.” 

Ciência para quem toma decisões

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Congresso irá produzir carta com recomendações sobre gestão hídrica que será encaminhada a ONU. (Foto: Leonardo Costa)

Professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFJF, André Megali, acompanha o Congresso Brasileiro de Limnologia desde 1999 e define o encontro como um momento de troca entre pesquisadores que enfrentam desafios semelhantes em diferentes partes do país. “É uma grande confraternização, mas também uma oportunidade de mostrar o que estamos fazendo, encontrar pontos em comum e tentar propor soluções para a sociedade”, afirma. 

Na avaliação do pesquisador, um dos maiores desafios é fazer com que o conhecimento produzido nas universidades alcance quem formula políticas públicas. “O grande desafio é fazer a informação chegar às pessoas que tomam decisões, mas de forma honesta. Não adianta exagerar cenários para chamar atenção, porque isso acaba minando a credibilidade da ciência.” 

O pesquisador também destaca que Juiz de Fora possui uma vantagem importante ao concentrar pesquisadores que atuam diretamente em temas relacionados ao meio ambiente, saneamento, reflorestamento, florestas urbanas e gestão das águas. 

Segundo ele, a cidade reúne condições favoráveis para aproximar universidade, poder público e população. “Se houver essa aproximação entre pesquisadores, gestores públicos e sociedade, Juiz de Fora tem condições muito melhores do que a média das cidades brasileiras para enfrentar esses desafios.” 

Como um dos legados do encontro, os participantes irão elaborar uma “Carta de Juiz de Fora”, reunindo propostas para enfrentar os problemas ligados à falta e ao excesso de água no Brasil, que será levada à conferência da ONU. 

O Congresso Brasileiro de Limnologia segue até sexta-feira (24), com conferências, mesas-redondas, apresentações científicas e atividades abertas ao público voltadas às discussões sobre recursos hídricos, biodiversidade e mudanças climáticas. A programação completa pode ser acessada por meio deste link