Entidade de classe mais antiga de Minas, ACEJF chega aos 130 anos preservando parte da memória de Juiz de Fora
Fundada em 1896, entidade acompanhou a industrialização da cidade, participou da articulação de projetos estruturantes e promove programação comemorativa nesta semana
Fundada em 12 de julho de 1896, quando Juiz de Fora despontava como um dos principais polos industriais do país, a Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora (ACEJF), reconhecida como a entidade de classe mais antiga de Minas Gerais, completa 130 anos reunindo uma história que acompanha parte da evolução econômica do município.
Criada para representar comerciantes e empresários, a entidade esteve presente em diferentes momentos da cidade, desde o auge da industrialização até os debates atuais sobre infraestrutura, logística e competitividade. Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em 1919, quando o jurista Rui Barbosa visitou a sede da Associação e registrou no Livro de Visitas a expressão “Barcelona Mineira”, em referência ao dinamismo econômico de Juiz de Fora.
Segundo o presidente da ACEJF, Aloísio Vasconcelos, a permanência da instituição ao longo de mais de um século está relacionada à capacidade de se adaptar às mudanças econômicas e às demandas do setor produtivo. “A ACEJF chega aos 130 anos porque sempre esteve conectada às demandas do setor produtivo e da sociedade. Ao longo de sua história, a entidade participou das principais discussões que impactaram o desenvolvimento de Juiz de Fora e da região. Nossa atuação vai muito além da representação empresarial”, afirma.
Porto Seco, Expominas e Aeroporto Regional tiveram apoio da ACEJF

Entre as pautas defendidas pela entidade ao longo das últimas décadas estão a implantação do Porto Seco, o acompanhamento da renovação da concessão da MRS e discussões sobre infraestrutura, tributação, relações de trabalho e segurança jurídica. “Uma instituição só permanece relevante por tanto tempo quando mantém o compromisso de representar os interesses da classe empresarial e contribuir para o desenvolvimento da cidade”, afirma o presidente.
A Associação também participou da articulação de projetos considerados estratégicos para a cidade. De acordo com Aloísio Vasconcelos, a construção do Expominas Juiz de Fora e do Aeroporto Regional teve origem em reivindicações apresentadas pela entidade ao então governador Itamar Franco. O presidente da ACEJF participou, inclusive, da cerimônia de lançamento da pedra fundamental do centro de convenções.
Além das transformações na infraestrutura, o dirigente destaca que os desafios do setor empresarial também mudaram ao longo do tempo. “Se no passado o grande desafio era criar postos de trabalho, hoje vivemos um cenário diferente. O principal gargalo enfrentado pelas empresas é a escassez de mão de obra qualificada e, em muitos setores, até mesmo de profissionais para funções básicas”, observa.
Segundo ele, o cenário reforça a necessidade de investimentos em qualificação profissional e de políticas que aproximem trabalhadores e empresas – pautas que fazem parte da associação. “Queremos que a ACEJF continue sendo protagonista do desenvolvimento de Juiz de Fora, fortalecendo o associativismo, estimulando o ambiente de negócios e contribuindo para uma cidade cada vez mais competitiva, inovadora e próspera.”
Programação
As comemorações pelos 130 anos da ACEJF começaram no dia 13 de julho, com uma missa em ação de graças na sede histórica da entidade, na Praça Doutor João Penido, no Centro, celebrada pelo Padre Pierre Maurício.
A programação foi encerrada no dia 17 deste mês, com a entrega da Comenda Daniel Pinto Corrêa, na Estação São Pedro. Criada para reconhecer pessoas e instituições que contribuíram para o desenvolvimento econômico e social de Juiz de Fora, a homenagem teve, nesta edição, 13 agraciados de áreas como indústria, saúde, educação, cultura, comunicação e gestão pública.

Entre os nomes que receberam a homenagem estão Margarida Salomão, prefeita de Juiz de Fora; Leônidas Oliveira, secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais; César Romero, colunista da Tribuna; Eduardo Santos, proprietário da Rodoviário Camilo dos Santos; Dr. Ricardo Villela, do Laboratório Côrtes Villela; e Dr. José Mariano Soares de Moraes, fundador da Faculdade Suprema.
A programação se encerra em 8 de outubro com uma palestra de Leandro Karnal, no Cine-Theatro Central. Inicialmente prevista para julho, a apresentação foi remarcada para outubro em comum acordo com a equipe do palestrante, garantindo as melhores condições para a realização do evento.












