LONGO PRAZO


Por Tribuna

16/06/2015 às 04h00

A falta de uma reforma política definitiva – os projetos aprovados pela Câmara podem ser mudados no Senado – deixa as eleições de 2016 sob um cenário de incerteza, pois não se sabe que tipo de mandato estará em disputa. Para uns, nada muda, valendo quatro anos de gestão e reeleição por mais quatro, mas foi aprovado um mandato de cinco para todos os políticos, e a reeleição foi por água abaixo. Como ainda não há um texto final, as regras continuam indefinidas. Mas nada impede que haja mobilizações, algumas delas de longo prazo, já de olho na sucessão presidencial de 2018.

Enquanto o Governo vive a expectativa do “Volta, Lula”, não forjando nenhum outro nome para a sucessão da presidente Dilma Rousseff, na oposição, o quadro é outro. O tucano Aécio Neves tenta se articular para manter sua hegemonia no diretório, sob o argumento de ter sido o candidato do PSDB que esteve mais perto da vitória nos últimos 12 anos. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que já tentou uma vez e perdeu feio para o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, tem um novo discurso e anda pelos bastidores cacifando sua volta ao palanque. Faz o mesmo o também tucano José Serra, o primeiro a ser derrotado pelo PT, agora com uma postura “low profile”, distante do candidato irritado e fechado em si mesmo de 2002 e 2010. Quer uma terceira chance.

Como o partido é o mesmo e só pode ser um, já se especula, pelo menos na mídia nacional, a possibilidade de todos irem para o embate, mas em legendas separadas. Aécio continuaria no PSDB; Alckmin teria palanque no PSB, e José Serra seria o nome do PMDB. São especulações, é fato, mas que não podem ser descartadas ante a volatilidade da política brasileira, na qual os fins justificam os meios, e trocar do partido nunca foi problema.