Ouro Preto recebe 135 filmes e dá destaque para gestos inaugurais no cinema
Programação gratuita inclui filmes em pré-estreias nacionais, retrospectivas e sessões temáticas; confira destaques


A 21ª edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) começa nesta quinta-feira (25) e propõe reflexões sobre gestos inaugurais no cinema e as experiências formadoras que atravessam a preservação e a educação. Com o tema “Um país existe nas imagens que preserva”, a Mostra faz ainda uma homenagem ao pioneirismo das diretoras mulheres focando no momento em que lançaram suas primeiras obras audiovisuais.
A programação com 135 filmes é toda gratuita e será realizada na Praça Tiradentes, no Centro de Artes e Convenções da UFOP e no Cine-Museu da Inconfidência, com filmes em pré-estreias nacionais, retrospectivas e sessões temáticas, além de homenagens, debates, oficinas, exposições, shows e atrações artísticas. Confira os destaques da programação.
No eixo histórico do evento, que leva como tema “Como elas começaram? Memórias do primeiro filme”, diferentes gerações de diretoras se reúnem em exibições e rodas de conversa para abordar os contextos e a realização de seus primeiros longas. Entre as obras exibidas, estão o filme que mistura elementos míticos e alegóricos “Cristais de sangue” (1975), de Luna Alkalay, a obra assumidamente feminista “Feminino plural” (1976), de Vera Figueiredo, que completa 50 anos este ano, “Mar de rosas” (1977), de Ana Carolina, que usa a narrativa não linear e formas inventivas para criar um ambiente de tensão, “Que bom te ver viva” (1989), de Lucia Murat, que aborda a tortura durante o período de ditadura militar no Brasil, “Girimunho” (2011), primeira incursão de Clarissa Campolina nas paisagens interioranas e “Um dia com Jerusa” (2020), de Viviane Ferreira, um dos primeiros longas ficcionais de uma diretora negra lançado em circuito comercial. Além disso, a homenagem à diretora Helena Solberg representa um olhar também histórico para a produção dessas mulheres.
Na temática preservação, o eixo “Primeiros gestos na preservação audiovisual: práticas, memórias e formação” propõe uma reflexão sobre os gestos que levaram à preservação e quais foram os seus desdobramentos na contemporaneidade, abordando inclusive questões como desafios das políticas públicas atuais, a regulação das plataformas digitais e o uso da inteligência artificial. Essa parte da programação traz debates, masterclasses e projetos de preservação, além de filmes que foram restaurados e produções contemporâneas que utilizam esse arquivo em suas criações.
Por fim, na temática educação, o eixo “Primeira vez: cinema, descoberta e invenção” guia um olhar que relembra as primeiras experiências de encantamento com o audiovisual e sua forma de compreender e expressar o mundo. Essa parte da programação apresenta episódios marcantes da relação entre cinema e educação no Brasil, como a exibição do cinematógrafo em uma sala de aula em 1896, na Escola Normal Modelo do Maranhão; a presença de um cinematógrafo em sala de aula no filme brasileiro “Romance proibido” (1944), de Ademar Gonzaga, e a realização de “O parque”, em 1963, considerado o primeiro filme feito em uma escola pública, no Rio de Janeiro. Cada um desses momentos aponta para diferentes modos de encontro entre escola, estudantes e imagens em movimento e também ajuda a pensar o momento atual.
Mostra competitiva contemporânea
Desde 2025, a CineOP passou a realizar a Mostra Competitiva Contemporânea, com o nome de “Arquivos em questão”, que reúne cinco longas-metragens em pré-estreia nacional que fazem o uso uso criativo de imagens de arquivo como elemento estruturador de novas possibilidades de linguagem, estruturação e narrativa.
Este ano, as obras que concorrem são “Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas”, de Carlos Adriano, que faz um ensaio a partir da única filmagem do escritor Marcel Proust para refletir sobre as possibilidades e impossibilidades de adaptação de sua obra; “Apopcalipse Segundo Baby”, de Rafael Saar, um documentário que percorre a trajetória de Baby do Brasil desde os Novos Baianos até a sua carreira solo; “Universo Circular – Jocy de Oliveira”, de Dácio Pinheiro, que apresenta o percurso artístico da compositora e pioneira da música eletrônica no país, ainda em atividade aos 1990 anos; “Irritante Prodígio”, de Luiza Lindner, que se aprofunda nos limites entre autobiografia, performance e memória ao revisitar uma infância marcada por longos períodos de internação hospitalar e psiquiátrica; “Notas sobre um Desterro”, de Gustavo Castro, que coloca em foco imagens de uma família brasileiro-palestina na Cisjordânia para criar reflexão sobre deslocamento, colonização e violência.
Documentários musicais são destaque
Os documentários musicais são destaque da programação da CineOP, aparecendo em diferentes momentos da programação — não apenas na Mostra Contemporânea, com os filmes “Apocalipse Segundo Baby” e “Universo Circular – Jocy de Oliveira”. Para os amantes da música, também vale conferir “Fernanda Abreu — Da lata 30 anos, o documentário”, de Paulo Severo, “As dores do mundo — Hyldon”, de Emílio Domingos e Felipe David Rodrigues, e “Vivo 76”, de Lírio Ferreira.












