Trotes para o Samu em Juiz de Fora já superam todo o ano de 2025

Cidade registrou 809 ligações falsas, superando os 731 casos de 2025; prática pode gerar pena de até 3 anos


Por Mariana Souza

24/06/2026 às 06h00- Atualizada 24/06/2026 às 07h40

O telefone 192 existe para salvar vidas, mas milhares de ligações feitas ao Samu não têm relação com emergências reais. Em Juiz de Fora, o serviço registrou 809 trotes até 21 de junho deste ano, número que já supera os 731 casos contabilizados ao longo de todo o ano de 2025.

A situação é recorrente em todo o estado. De acordo com dados do Samu, Minas Gerais registrou 6.571 trotes entre janeiro e maio deste ano, uma média de 44 chamadas falsas por dia. O número corresponde à alta de 15,8% em comparação com 0 mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 5.674 ligações indevidas.

Nos cinco primeiros meses de 2026, as centrais do Samu em Minas receberam 52.998 ligações. Destas, 33.092 resultaram em atendimento, enquanto os trotes corresponderam a 10% do total das chamadas. Em todo o ano de 2025, o serviço contabilizou cerca de 92 mil ligações falsas ou indevidas no estado.

Chamadas falsas podem atrasar socorros reais

Responsável pelo atendimento pré-hospitalar de urgência, o Samu opera por meio de uma central de regulação que avalia cada ocorrência antes do envio de ambulâncias e equipes especializadas.

Segundo a auxiliar de regulação médica da Central de Divinópolis, Jéssica Amaral, todas as chamadas passam por protocolos de confirmação de dados, como nome, endereço, idade da vítima e pontos de referência. “O tempo é vida. Enquanto um atendente identifica um trote ou trata de um assunto que não configura urgência, pode haver uma pessoa aguardando atendimento para uma situação grave. Até que a equipe perceba que a ligação é falsa, um tempo precioso já foi perdido.”

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alerta que uma ligação falsa não ocupa apenas a linha telefônica, mas também mobiliza profissionais e compromete a capacidade de resposta do serviço.

Para a secretária adjunta de Estado de Saúde, Poliana Cardoso Lopes, o impacto vai além de uma simples brincadeira. “O trote pode ser uma brincadeira para alguns, mas pode significar a vida de outros. O telefone do Samu que está ocupado com uma ligação dessas deixa de atender uma pessoa que precisa de ajuda urgente naquele exato momento.”

Trote pode gerar punição

Além de prejudicar o atendimento, o acionamento indevido dos serviços de emergência pode resultar em responsabilização criminal.

O Código Penal prevê punição para quem interrompe ou perturba serviço telefônico de utilidade pública, com pena que pode chegar a três anos de detenção, além de multa. Em Minas Gerais, a Lei Estadual nº 22.452, de 2016, também estabelece penalidades para o uso indevido de serviços de emergência, como Samu, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

A orientação dos profissionais é que o telefone 192 seja utilizado exclusivamente em situações reais de urgência e emergência.
“É muito importante conscientizar a todos de que o trote não é uma mera brincadeira. É uma atitude que pode custar a vida de alguém”, reforça Poliana.

*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli