Tucano, bicho-preguiça e curicaca são reintroduzidos no Jardim Botânico em Juiz de Fora
Parceria entre UFJF e Cetas-JF fortalece recuperação de animais resgatados e reforça papel da área como refúgio de biodiversidade na Mata Atlântica
O Jardim Botânico de Juiz de Fora recebeu, nessa terça-feira (23), um tucano, um bicho-preguiça e uma curicaca em mais uma etapa de reintrodução de fauna silvestre na região. Os animais foram encaminhados pelo Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas-JF), em uma ação integrada com o Ibama e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).


Segundo o diretor do Jardim Botânico, Breno Motta, o processo de reintrodução ocorre de forma criteriosa e segue protocolos técnicos. Antes de serem soltos, os animais passam por um período de recuperação, no qual são avaliadas suas condições físicas e comportamentais, com o objetivo de garantir que estejam aptos a retornar ao ambiente natural.
De acordo com ele, a iniciativa é fruto de uma parceria entre o Cetas e o Ibama, que encaminham animais provenientes de resgates e apreensões. “Antes da soltura, eles passam por um período de cuidados e avaliação, buscando garantir que estejam em condições de sobrevivência na natureza”, explicou.
O diretor destaca que o próprio ambiente do Jardim Botânico favorece esse processo. O local, junto com o Parque Estadual Mata do Krambeck, faz parte do maior remanescente de Mata Atlântica da cidade, fazendo com que o espaço ofereça alta diversidade de espécies vegetais e condições ecológicas adequadas para a adaptação dos animais.
“O animal encontra disponibilidade de alimento ao longo do ano, recursos hídricos, áreas de refúgio e diferentes estratos de vegetação, que permitem alimentação, descanso e reprodução”, afirmou.
A presença de diferentes camadas de vegetação e a baixa perturbação humana no interior da floresta também são fatores decisivos para o sucesso das reintroduções. Além disso, a conectividade com outros remanescentes florestais facilita a dispersão e integração da fauna silvestre, fortalecendo processos ecológicos típicos da Mata Atlântica.
Jardim Botânico já recebeu mais de 20 bichos-preguiça


Motta lembra que o Jardim Botânico já recebeu diversas espécies ao longo dos anos, como tucanos, maritacas, sabiás e saíras. O avistamento frequente desses animais na área é considerado um indicativo do sucesso das ações de reintrodução e da importância do espaço para a conservação da fauna regional.
Entre os destaques está o bicho-preguiça, mamífero arborícola típico da Mata Atlântica. Segundo o diretor, a espécie tem papel relevante como indicador de qualidade ambiental. “Já reintroduzimos mais de 20 indivíduos de bicho-preguiça em parceria com o programa do Cetas e do Ibama. O fragmento oferece alimento, abrigo e condições favoráveis de adaptação”, disse. Ele também ressaltou registros de reprodução, com o nascimento de filhotes na área, o que indica a formação de uma população saudável.
Já a curicaca, ave de brejo de médio a grande porte, chama atenção pelo bico curvo e pela vocalização marcante. A espécie tem papel importante no controle de insetos e pequenos vertebrados em ambientes úmidos, contribuindo para o equilíbrio ecológico.
A reintrodução desses animais, segundo a gestão do Jardim Botânico, reforça o papel estratégico da unidade na conservação da biodiversidade regional e na manutenção dos processos ecológicos da Mata Atlântica, contribuindo para a recuperação de espécies e para o fortalecimento do ecossistema local.











