Casos de demência poderiam ser evitados com mudanças simples no dia a dia
A demência, incluindo Alzheimer, tem 54% dos casos na América Latina ligados a fatores modificáveis, indicando potencial de prevenção

A demência reúne doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, responsável por cerca de 60% a 70% dos casos globais. Estudos recentes apontam que parte significativa está associada a fatores de risco modificáveis ao longo da vida.
Especialistas destacam que esse avanço amplia as possibilidades de prevenção e enfraquece a visão de que a condição seja apenas um desfecho inevitável do envelhecimento. Nesse contexto, um estudo da Faculdade de Medicina da USP, publicado na revista The Lancet Global Health, estima que 54% dos casos de demência na América Latina estão associados a fatores modificáveis.
Casos de demência por fatores evitáveis
O índice supera a média global, calculada em cerca de 40%, o que indica maior potencial de prevenção na região por meio de políticas públicas e intervenções em saúde. A pesquisa analisou dados de sete países latino-americanos, incluindo Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Honduras, México e Peru.
Foram mapeados 12 fatores associados ao desenvolvimento de demências. Entre eles estão:
- baixa escolaridade
- perda auditiva
- hipertensão
- obesidade
- tabagismo
- depressão
- isolamento social
- inatividade física
- diabetes
- consumo excessivo de álcool
- poluição do ar
- lesões cerebrais traumáticas
Obesidade, sedentarismo e depressão aparecem como os fatores mais relevantes na América Latina. Esses elementos ajudam a explicar a diferença em relação a outras regiões do mundo, onde a proporção de casos modificáveis é menor.
Diferenças entre países avaliados:
- Chile: aproximadamente 62% dos casos associados a fatores modificáveis.
- Argentina: cerca de 60%.
- Brasil: entre 48% e 56%, conforme o método de cálculo.
- Peru: cerca de 45%, menor índice entre os países analisados.
Prevenção e conclusões
Os autores do estudo ressaltam que as ações de prevenção precisam ter início ainda na fase adulta e se prolongar ao longo da vida, com atenção especial à educação, ao controle de doenças crônicas, à saúde cardiovascular e à adoção de hábitos saudáveis.
A pesquisa conclui que uma parcela relevante dos casos de demência pode ser evitada ou retardada quando esses fatores são adequadamente gerenciados, o que reforça a importância de políticas públicas voltadas à prevenção em saúde.











