Casos de demência poderiam ser evitados com mudanças simples no dia a dia

A demência, incluindo Alzheimer, tem 54% dos casos na América Latina ligados a fatores modificáveis, indicando potencial de prevenção


Por Yasmin Henrique

20/06/2026 às 12h04

Casos de demência poderiam ser evitados com mudanças simples no dia a dia

A demência reúne doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, responsável por cerca de 60% a 70% dos casos globais. Estudos recentes apontam que parte significativa está associada a fatores de risco modificáveis ao longo da vida. 

Especialistas destacam que esse avanço amplia as possibilidades de prevenção e enfraquece a visão de que a condição seja apenas um desfecho inevitável do envelhecimento. Nesse contexto, um estudo da Faculdade de Medicina da USP, publicado na revista The Lancet Global Health, estima que 54% dos casos de demência na América Latina estão associados a fatores modificáveis.

Casos de demência por fatores evitáveis

O índice supera a média global, calculada em cerca de 40%, o que indica maior potencial de prevenção na região por meio de políticas públicas e intervenções em saúde. A pesquisa analisou dados de sete países latino-americanos, incluindo Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Honduras, México e Peru. 

Foram mapeados 12 fatores associados ao desenvolvimento de demências. Entre eles estão:

  • baixa escolaridade
  • perda auditiva
  • hipertensão
  • obesidade
  • tabagismo
  • depressão
  • isolamento social
  • inatividade física
  • diabetes
  • consumo excessivo de álcool
  • poluição do ar
  • lesões cerebrais traumáticas

Obesidade, sedentarismo e depressão aparecem como os fatores mais relevantes na América Latina. Esses elementos ajudam a explicar a diferença em relação a outras regiões do mundo, onde a proporção de casos modificáveis é menor.

 Diferenças entre países avaliados:

  • Chile: aproximadamente 62% dos casos associados a fatores modificáveis.
  • Argentina: cerca de 60%.
  • Brasil: entre 48% e 56%, conforme o método de cálculo.
  • Peru: cerca de 45%, menor índice entre os países analisados.

Prevenção e conclusões

Os autores do estudo ressaltam que as ações de prevenção precisam ter início ainda na fase adulta e se prolongar ao longo da vida, com atenção especial à educação, ao controle de doenças crônicas, à saúde cardiovascular e à adoção de hábitos saudáveis. 

A pesquisa conclui que uma parcela relevante dos casos de demência pode ser evitada ou retardada quando esses fatores são adequadamente gerenciados, o que reforça a importância de políticas públicas voltadas à prevenção em saúde.