Mortes e mal-estar em trilhas reforçam importância de cuidados cardíacos

Homem morreu após mal súbito durante o retorno de uma trilha, enquanto uma mulher com cardiopatia teve mal-estar durante a atividade; cardiologista orienta sobre prevenção e fatores de risco


Por Pâmela Costa e Fernanda Castilho

09/06/2026 às 06h00

Morte de homem em trilha do Parque Estadual do Ibitipoca reforça importância de cuidados cardíacos
Descida do Pico do Pião, no Parque Estadual do Ibitipoca (Foto: Leonardo Costa)

Um homem de 56 anos morreu após sofrer um mal súbito ao final de uma trilha no Parque Estadual do Ibitipoca, em Lima Duarte, na sexta-feira (5). A vítima estava acompanhada da esposa e dos filhos. Segundo a Parquetur, concessionária responsável pela operação das atividades de ecoturismo e visitação da unidade de conservação (UC), o visitante chegou a ser submetido a manobras de primeiros socorros, mas teve o óbito confirmado ainda no local.

A família já estava retornando da atividade quando o homem passou mal próximo à saída da unidade de conservação. A equipe do Parque Estadual do Ibitipoca, junto aos socorristas da Parquetur, prestou atendimento à vítima e realizou manobras de ressuscitação cardiopulmonar até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Apesar dos esforços, ele não resistiu e veio a óbito.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) lamentou o ocorrido. “O Parque Estadual do Ibitipoca manifesta solidariedade aos familiares e amigos neste momento de profunda tristeza e expressa suas mais sinceras condolências”, informou a pasta, em nota.

Comorbidades e exposição ao frio intenso aumentam riscos

Já no último sábado (6), uma mulher de 53 anos sofreu mal-estar quando realizava uma trilha ao lado da família no Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó, localizado na Serra do Caparaó, localizada na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. Segundo os familiares, a mulher é portadora de comorbidades, como diabetes, hipertensão arterial e cardiopatia, e teria apresentado um quadro de hipoglicemia, que ocorre quando os níveis de açúcar no sangue ficam baixos, também associado à exposição ao frio intenso.

Como a mulher estava em uma área de difícil acesso, a guarnição do Corpo de Bombeiros Militar precisou se deslocar a pé, por aproximadamente um quilômetro, para realizar o atendimento. Ao chegarem ao local, os bombeiros encontraram a mulher acompanhada de familiares e de guardas do ICMBio. A mulher estava protegida contra o frio, tendo sido vestida com roupas térmicas e coberta com manta aluminizada.

Apesar de consciente, estava desorientada e fraca. Em primeiro atendimento, foi constatado que seus sinais vitais estavam dentro da normalidade, também apresentava leve taquicardia e estresse térmico. A vítima foi retirada do local em uma maca e depois encaminhada pelo SAMU a um hospital do município de Manhumirim, localizado a cerca de 20 quilômetros do parque.

Casos reforçam importância da prevenção

Segundo o cardiologista Renato Quintão Loschi, a rapidez no atendimento pode ser determinante para a sobrevivência e recuperação de pacientes que sofrem um mal súbito. O médico explica que esse tipo de quadro pode estar associado a diferentes causas, que vão desde problemas gastrointestinais e cefaleias até condições cardíacas graves.

Por isso, diante dos primeiros sintomas, a orientação é interromper imediatamente a atividade física e buscar assistência médica. “É necessário um atendimento em uma unidade que, no mínimo, disponha de suporte avançado e permita que o paciente chegue a um hospital o mais rápido possível”, afirma. De acordo com o especialista, a situação pode exigir desde exames laboratoriais simples até procedimentos de emergência, como cateterismo e angioplastia, tornando essencial a agilidade tanto no atendimento quanto no transporte. 

Loschi também explica que, a prática de trilhas não é considerada uma atividade de alta intensidade para a maioria das pessoas. Segundo o cardiologista, o esforço exigido varia conforme o condicionamento físico de cada indivíduo. Ele ressalta ainda que, mesmo em exercícios mais intensos, o risco de eventos cardíacos não aumenta necessariamente em razão da atividade em si, mas pode estar relacionado a fatores como suor excessivo, desidratação e desequilíbrio hidroeletrolítico, que podem funcionar como gatilhos para arritmias.

Para reduzir riscos, o médico recomenda uma avaliação prévia com um cardiologista. A consulta deve incluir a investigação do histórico clínico do paciente, considerando fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e sintomas prévios, como desmaios e dores no peito. A partir dessa análise, o especialista pode solicitar exames complementares.

“Inicialmente, a avaliação envolve consulta médica e eletrocardiograma. Quando a pessoa pretende realizar atividades de maior intensidade, o teste ergométrico também é indicado”, explica. O exame simula o esforço físico para identificar possíveis arritmias ou sinais de isquemia cardíaca.

Apesar da gravidade que um mal súbito pode representar, Loschi destaca que a maioria dos casos não evolui para a morte. No entanto, como não é possível determinar a causa ou a gravidade do quadro no momento em que a pessoa passa mal, ele reforça a importância de manter os exames cardiológicos em dia e buscar atendimento imediato diante de qualquer sintoma.