Com mais de 40 anos de dedicação ao esporte de JF, Tadeu Henriques almeja retomada das equipes locais

Supervisor do Ginásio Municipal foi o convidado do ‘Dá Jogo’ da última quarta-feira (27)


Por Vinicius Soares

31/05/2026 às 06h00

POR JF NOVO LOGO VERSOES 1Preparador físico e técnico dos três clubes juiz-foranos, professor de Educação Física e supervisor do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio e do Ginásio Municipal Jornalista Antônio Marcos. Esse é o currículo de Tadeu Henriques, convidado do ”Dá Jogo”, programa de esportes no YouTube da Tribuna de Minas da última quarta-feira (27). A entrevista faz parte do projeto “Por JF”, um movimento idealizado pela Rede Tribuna de Comunicação que busca trazer debates e ações voltadas à reconstrução e ao crescimento de Juiz de Fora de forma sustentada. O projeto une Poder Público, iniciativa privada, sociedade civil, lideranças e comunidade para que, juntos, seja possível reconstruir e dar novos sentidos aos caminhos de Juiz de Fora em seus 176 anos.

Tadeu se formou em Educação Física em 1982 e, inicialmente, trabalhou nas redes particulares, municipais e estaduais de educação. Em 1989, assumiu a preparação física do Sport Club e, posteriormente, o cargo de técnico da equipe profissional. Depois, foi para o Tupi, onde também foi preparador físico e técnico das categorias de base. Em 1994, retornou ao Verdão da Avenida para treinar as categorias de base do clube. O profissional completa, em 2026, 40 anos como servidor da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), onde, segundo ele, trabalhou em todos os projetos desenvolvidos pela Secretaria de Esporte e Lazer (SEL).

Com mais de 40 anos de dedicação ao esporte de JF, Tadeu Henriques almeja retomada das equipes locais
Tadeu é testemunha ocular de vários momentos históricos do esporte juiz-forano (Foto: Leonardo Costa)

Relação com o Estádio e com o Ginásio do Município

A ligação entre o Estádio Municipal e Tadeu começou logo na sua inauguração, no dia 30 de outubro de 1988. Coordenador do Pró-Criança à época, ele levou 500 crianças do projeto para assistir as partidas entre Tupi x Sport e Flamengo x Argentinos Juniors-ARG dentro do gramado. O professor relata que nunca viu tanta gente nas arquibancadas como naquele dia.

“A gente estima que o público daquele dia ficou em torno de 60 mil pessoas, porque tinham 35 mil na arquibancada, mais umas 30 mil onde foram plantadas as árvores, mas que na época estava vazio”, afirma.

Anos mais tarde, já como supervisor do estádio, Tadeu foi testemunha ocular de um dos momentos mais famosos e inusitados da história do esporte local: o massagista Esquerdinha, da Aparecidense-GO, que invadiu o campo e impediu um gol – que seria o da classificação – do Tupi, aos 44 minutos do segundo tempo do jogo de volta das oitavas de final da Série D do Campeonato Brasileiro de 2013.

“Quando aconteceu esse lance, o Esquerdinha pulou a placa de publicidade, pegou a bolsa de massagem, ele passou na minha frente e a cerca de dez metros estavam os maqueiros, o Grande e o Edmar, já falecido. O Grande tentou dar um soco no Esquerdinha, que jogou a bolsa de massagem em cima dele, correu e entrou dentro do vestiário”, narra. Tadeu também relembra que o massagista da Aparecidense só conseguiu sair do estádio escondido em um contêiner utilizado para armazenar os materiais esportivos.

Em 2025, após ser o responsável pela supervisão do Estádio Municipal durante 12 anos, Tadeu assumiu o mesmo cargo no Ginásio Municipal Jornalista Antônio Marcos. O supervisor destaca que o aparelho traz contribuições para a cidade que vão além do desenvolvimento esportivo em diversas modalidades.

“Hoje, o Ginásio Municipal é ocupado praticamente de segunda a domingo, de manhã, de tarde e de noite. De manhã, nós temos os treinos de futsal do projeto JF Esporte Cidadania, que trabalha com crianças a partir de seis anos, todos os dias, de 7h30 às 11h30. Pela tarde, nós temos os Jogos Intercolegiais, que vão de fevereiro a dezembro em quase todas as modalidades. Aos finais de semana, o ginásio é ocupado com diversas atividades, como jiu-jitsu, taekwondo e basquete. Fora isso, a gente tem os eventos culturais. No ano passado, nós recebemos o Dire Straits Legacy e, nesse ano, o Creedence. Além disso, também já aconteceram eventos religiosos. O ginásio é utilizado para muitas coisas”, detalha Tadeu.

O que falta para os clubes voltarem a crescer

Durante os seus mais de 40 anos de carreira, Tadeu acompanhou de perto o trabalho das equipes juiz-foranas, nos melhores e nos piores momentos. Para ele, a falta de investimentos dos empresários locais é fundamental para explicar os insucessos que os times da cidade tiveram em 2026.

O empresariado de Juiz de Fora é muito forte e tem empresários com muito dinheiro. Eu acho que eles deveriam se conscientizar sobre a importância de se patrocinar e deveriam investir um pouco mais no esporte local”, pontua.

Além disso, Tadeu entende que as equipes de futebol de Juiz de Fora perderam a sua identidade com a cidade e que a retomada dos times profissionais se dá por um trabalho de base que olhe com mais carinho para os jovens da região.

A minha esperança é essa: o Tupi, Tupynambás e Sport montarem a base e, com a ajuda de um empresário, possam formar uma equipe para o futuro. Temos aqui um belíssimo estádio e infelizmente as equipes estão deixando a desejar”, finaliza.

Tópicos: dá jogo