Cenas urbanas: Viver JF

Imagens sob as lentes de um fotógrafo trazem memórias do presente e reflexões para o futuro

Por Luiz Henrique Duarte

São 176 anos de história com vanguarda e pioneirismo. A cidade de Juiz de Fora também é conhecida como a “Manchester Mineira”: título recebido nos áureos tempos do seu pioneirismo industrial, como um dos maiores e bem sucedidos parques têxteis do Brasil e Minas Gerais. Atualmente, é um pólo regional importante na educação e comércio. Na área de saúde, é referência macrorregional, com hospitais e clínicas que viabilizam o atendimento para a região.

Mas Juiz de Fora também apresenta cenários urbanos que compõe a cidade, marcando os traços arquitetônicos com seu design irretocável.

IMG_5581IMG_5572IMG_5571IMG_5570IMG_5568IMG_5567IMG_5565
<
>

Cenário urbano

Um dos cenários históricos icônicos, destaca-se o “Edifício Clube Juiz de Fora”, onde o painel, “As Quatro Estações”, de Cândido Portinari, foi tombado em 1997, anterior ao tombamento do próprio edifício. Também sobressaem um jogo geométrico vertical marcado por quadros e jogos de painéis com cavalos. As grandes esquadrias em guilhotina marcam o edifício no sentido horizontal da fachada.

As lentes do fotógrafo e projetista Rhodolfo Assad registraram cenas da dor e perdas durante a tragédia das chuvas, quando “a cidade ficou marcada”. Ele relembra o episódio: “Ver pessoas fora de casa, famílias que perderam tudo e vidas interrompidas por essa tragédia mexe muito com a gente. Fotografar aquilo foi a forma que encontrei de registrar esse momento para que ele nunca seja esquecido”.

Entre o antes e agora, a cidade caminha para um futuro com pessoas mais concientes em suas ações de prevenção do meio ambiente. Também está educando as gerações futuras sobre a sustentabilidade. A readequação as construções de moradias e instabilidade das áreas de risco estão presentes na construção de um futuro promissor. O mapeamento nesta gestão e outras sempre foram divulgados e abertos a população. O fotógrafo também ressalta sua visão para o futuro: “O que mais me chamou atenção foi o silêncio que ficou em alguns lugares. Fotografar a cidade depois disso me mostrou uma Juiz de Fora mais vulnerável, mas também muito forte para recomeçar”.

E para Juiz de Fora voltar a uma vida normal, como antes, muitos acertos com os órgãos governamentais precisam ser viabilizados e cumpridos. A gestão atual da prefeita Margarida Salomão atua com sensibilidade, apoiando, respeitando e não medindo esforços para reestruturar a tão importante “Manchester Mineira”.

É preciso contar com a colaboração dos cidadãos em pequenos atos de conscientização e prevenção, para não culparem o poder público de abandono ou descaso em caso de tragédias. É a luta contra as intempéries do tempo, mas é a guerra da conscientização de uma população, que às vezes acha que aquilo nunca pode ou vai acontecer.

A arquitetura e urbanismo, a engenharia e design contemporâneo caminham em conjunto para planejar o futuro e trazer soluções presentes para os próximos anos, deixando o cenário urbano mais adequado e favorável para os próximos acontecimentos relacionados ao crescimento ou existência de possíveis catástrofes.

E para celebrar os 176 anos, a cidade de Juiz de Fora mostra que é preciso ter coragem para encarar o futuro e voltar a brilhar com a sua rotina de sempre. Mas é quase impossível ceder a beleza do cenário urbano em meio a dor de perder famílias, parentes e amigos.

“Mais do que reconstruir ruas, a gente precisa devolver segurança e dignidade para as pessoas. O brilho da cidade volta quando elas conseguem viver sem medo da próxima chuva”, pontua o fotógrafo que registra a cidade com imagens reais em todos os momentos.

Salve 176 anos! Uma saudação respeitosa a cada sobrevivente da tragédia, a cada um que partiu, aos seus familiares e a quem caminha com o brilho de ecoar a esperança de dias melhores.

Por JF.

Ficha técnica:
. Imagens de Juiz de Fora: Rhodolfo Assad
(fotógrafo profissional e projetista)

assinatura casa Arrumada 1

Luiz Henrique Duarte

Luiz Henrique Duarte

Sou bacharel em direto, designer de interiores graduado, jornalista apaixonado por arte clássica e contemporânea, arquitetura e tudo relacionado à estética espacial dos ambientes e do bem viver.

A Tribuna de Minas não se responsabiliza por este conteúdo e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação.

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade pelo seu conteúdo é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.



Leia também