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Quando o discurso do sucesso despreza a formação

Em uma sociedade capturada pela lógica da visibilidade, da performance e da recompensa instantânea, consolidou-se a perigosa fantasia de que sucesso, reconhecimento e influência independem de formação, disciplina e esforço


Por Prof. Robson Ribeiro*

21/05/2026 às 06h00- Atualizada 21/05/2026 às 12h06

Há uma inversão cultural inquietante em curso: admiramos resultados, mas desprezamos os processos que os tornam possíveis. Em uma sociedade capturada pela lógica da visibilidade, da performance e da recompensa instantânea, consolidou-se a perigosa fantasia de que sucesso, reconhecimento e influência independem de formação, disciplina e esforço.

Essa distorção torna-se ainda mais grave quando parte de profissionais inseridos em ambientes altamente competitivos, como o marketing esportivo e a comunicação vinculada ao esporte, espaços onde consistência, estratégia e credibilidade são indispensáveis. Defender que educação, compromisso e responsabilidade seriam superestimados não é apenas um equívoco; é uma mensagem pedagogicamente nociva.

O esporte, por si só, desmonta essa tese. Nenhum atleta de alto rendimento constrói excelência sem rotina, repetição, renúncia e disciplina. O pódio é apenas a face visível de anos de esforço silencioso. O mesmo vale para qualquer profissão séria. A credibilidade não nasce da aparência, mas da competência sustentada.

A cultura digital, porém, criou a estética da facilidade. Tudo parece rápido, intuitivo e espontâneo. Mas se trata de ilusão. O que é exibido como natural frequentemente esconde planejamento, preparo e constância. O problema surge quando essa encenação passa a ser vendida como regra de vida.

A educação continua sendo um dos poucos espaços que confrontam essa fantasia. Aprender exige tempo, concentração, repetição, correção e maturidade para lidar com a frustração. Conhecimento sólido nunca foi produto de improviso.

Reduzir a formação a um detalhe dispensável empobrece o debate público e confunde as novas gerações. O médico despreparado compromete vidas. O advogado sem estudo compromete direitos. O educador sem repertório compromete consciências. O comunicador irresponsável compromete a verdade.

O problema não está nas novas formas de comunicação, mas na irresponsabilidade de transformar exceções aparentes em modelo formativo. Uma sociedade que ridiculariza esforço e educação não se moderniza; apenas rebaixa seus critérios de excelência. Porque sucesso sem formação é aparência. E aparência, cedo ou tarde, desmorona.

*Professor Robson Ribeiro de Oliveira Castro Chaves
Mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE)

Professor de Ensino Religioso do Colégio Santa Catarina – Juiz de Fora (MG)
Professor de Filosofia, Sociologia e de Projeto de Vida do Centro Educacional do Raciocínio e Aprendizagem Socializada – RAS – Juiz de Fora (MG)
Lattes: http://lattes.cnpq.br/3978298298863886

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