SILÊNCIO NO PALCO
O contingenciamento de recursos determinado pela equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de fato, desmobilizou diversas ações nas quais o Governo federal, especialmente, é parte ativa. Por conta disso, as universidades públicas federais vivem a mesma situação, sendo induzidas a rever projetos e adotar medidas de restrição nos seus orçamentos. No entanto, mesmo diante de tais justificativas, a cidade só tem a lamentar a decisão de se cancelar a 26ª edição do Festival de Música Antiga, produzido até o ano passado pela gestão privada do Centro Cultural Pró-Música. Seria a primeira experiência da UFJF.
Como as conversações foram reservadas, não há como entrar no mérito da decisão, mas é fundamental estabelecer a importância do evento, que há muito deixou de ser uma programação voltada apenas para um público interno, tornando-se um festival incorporado à vida da cidade e responsável por um dos maiores fluxos de turistas ao município. Com razão, representantes do Sindicato de Bares, Hotéis e Restaurantes lamentaram a decisão, pois também perdem.
Não só eles, porém. A cultura fica, pelo menos por um ano, sem uma de suas principais manifestações, pois há uma intensa troca de experiência entre os músicos, inclusive de outros países, que criam uma nova paisagem nas ruas da cidade durante duas semanas de evento. A crise econômica que, é certo, compromete projetos exige, agora, criatividade a fim de garantir à cidade a realização do festival. Interromper uma manifestação de tamanha magnitude é comprometer a própria história da cidade. Daí, pois, que as conversas não devam se restringir aos antigos organizadores e à UFJF, carecendo de novos atores, tal o seu interesse para o município.











