BBB 26: o mais próximo de um ‘reality show’

Edição trouxe mais realidade e humanidade, praticamente ausente nos anos anteriores

Por Bernardo Marchiori

BBB 26: o mais próximo de um ‘reality show’
Foto: Reprodução/TV Globo

“Que roteirista é esse?”, questionou Ana Paula Renault na madrugada desta segunda-feira (20), após Tadeu sair do protocolo e contar do falecimento do irmão, a lenda do basquete Oscar Schmidt. A atitude de conforto à sister, que ficou sabendo da morte do pai, Gerardo Renault, pouco antes da edição de domingo (19), gerou comoção e levantou diferentes debates – como a permanência da participante, às vésperas da final. Diante de toda a situação, surge a resposta à pergunta de Ana Paula: não há roteiro, e isso é exatamente o que torna o BBB 26 o maior da história e o mais próximo de cumprir o papel de reality show.

Analisando os quase cem dias de programa, é uma missão quase impossível encontrar um em que não houve sequer um momento registrável. Na semana final, por exemplo, as amigas Ana Paula e tia Milena chegaram a discutir – mais um tradicional desentendimento entre aliadas quando o jogo vira “cada um por si”. A sensação sempre foi de que algo relevante poderia acontecer a qualquer momento, instigando o público a, de fato, acompanhar o programa ao longo do dia. Confusões generalizadas, memes criados e estratégias a todo vapor – o jogo rolando na mais pura essência.

Se há realidade em ter desentendimentos com pessoas que se lida no cotidiano, os últimos dias trouxeram a humanização ao BBB 26. Quando Ana Paula diz a Juliano e Milena que não quer voltar à vida, como forma de tentar não precisar lidar com a perda do pai; quando Tadeu não abdica de apresentar o programa após a morte do irmão; Juliano e Milena terem ficado contidos mesmo após se tornarem finalistas, em respeito à perda da aliada. Sem dúvidas, um dos dias mais emocionantes da história do programa – se não o mais.

O BBB 26 entregou justamente o que faltou em boa parte das últimas edições: a proximidade com o real. Diferente da artificialidade escancarada nos últimos anos, sobretudo pelo medo do cancelamento, os brothers e sisters de 2026 se entregaram por completo à experiência em busca dos R$ 5,44 milhões. O resultado foi um maior interesse por parte do público e um formato que deu certo, principalmente pelo retorno dos veteranos.

Considerando o fato de o programa consistir em um determinado número de participantes conviver, durante cem dias, em um espaço fechado, precisando lutar pela sobrevivência no jogo até a final por um prêmio milionário e sem qualquer interferência externa (tudo isso sendo televisionado 24 horas por dia), o BBB 26 foi o mais próximo da realidade dentre os reality shows. Remete aos anos iniciais de programa, mas em uma época em que até coisas bobas são canceláveis na internet.

Quem nunca perdeu a paciência em uma mera viagem entre amigos? Quem nunca passou por um momento difícil e pensou em se recusar a retornar à realidade? O único possível problema, como sempre, é como o público interpreta as situações. Se ainda há quem prefira problematizar a humanidade e a proximidade com o real, melhor voltar a BBBs roteirizados e artificiais.

Bernardo Marchiori

Bernardo Marchiori

Bernardo Marchiori é jornalista formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora e trabalha na Tribuna desde fevereiro de 2023. Escreve matérias principalmente para o caderno de editorias gerais, com participação eventual em outras editorias do jornal. Já atuou na assessoria da Prefeitura de Juiz de Fora e foi bolsista na rádio da Faculdade de Comunicação da UFJF. E-mail: [email protected] LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/bernardo-marchiori-da-costa/

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